A SOCIOLOGIA DA MORAL INDESCENTE

 

Há dois momentos antropológicos na criminalidade. O primeiro é a sua relação com o meio, o ambiente cultural em si, na somatória sociológica, como demonstraria uma Etnografia básica. Disso se pode deduzir que a criminalidade é resultado de um sistema social injusto e desigual. No ambiente urbano se potencializa a criminalidade, pela manifestação cultural ampla, permanente e sistemática. Contudo há que se relativizar o conceito de criminalidade e defini-lo na perspectiva da violência. E mesmo a violência, é relativizada por várias formas de assédios à pessoa humana. Se analisarmos a violência como forma de criminalidade urbana prevalecente, caberá dizer que a criminalidade é definitivamente a consequência mais funesta da injustiça social, conquanto não a única. O que diremos é que há no injustiçado um estado intermediário entre a violência que praticará, e a injustiça que sofreu. Nesse ínterim há um fator antropológico que nos leva à segunda causa da criminalidade: A fraqueza de caráter. Explica-se como sendo o potencial de resistência que cada pessoa desenvolveu baseada sem seus valoresque são aspectos culturais no interior da alma, ou psiquê.Atualmente se notará que a falência do caráter em decorrência da deterioração dos valoresé a essência da criminalidade. Violência física, contravenção, ou leviandades morais, dependem da personalidade e capacidade de reação de cada indivíduo. O dano se medirá pela intensidade do ato criminoso; e a intensidade se darápela capacidade técnica do criminoso, no tocante aos crimes menos violentos.

         De tudo posto, há outro fator fundamental para essa análise:  a concepção de criminalidade restrita ao relativismo cultural de uma sociedade específica, ou etnia. O principal pressuposto do relativismo cultural será sempre a moralidade; e nesse paradigma, os crimes sexuaissempre ocuparãona sociedade marcada pela hipocrisia do cristianismo o maior peso. Decorre que pode até criminalizar aquilo que não é crime juridicamente. Vide o caso do julgamento popular do homossexualismo, a questão do aborto, a pedofilia, pornografia e nudez. Uma cultura assim relativizada, tende em afrouxar a moral para crimes muito mais relevantes. Observe que em tal panorama, a questão da criminalidade diretamente associada à injustiça social é uma questão bem complexa ainda que extremamente relevante. Tanto mais que as instituições baluartes da moral estão muito desmoralizadas. Na política e na religião. E aquelas promotoras da cultura estão seriamente comprometida por essas.

Israel de Oliveira:   A sociologia da moral indecente.

 

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