O ex-deputado André Vargas (ex-PT) será interrogado nesta quarta-feira, 12, pelo juiz federal Sérgio Moro na ação que apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Na ocasião também serão interrogados Leon Vargas, irmão do ex-deputado, e o publicitário Ricardo Hoffman. As informações são da Folha de Londrina. Os interrogatórios marcam a fase final do processo e, depois de ouvidos os acusados, Moro deve conceder os prazos para alegações finais do MPF e das defesas. Em seguida, caso nenhuma nova diligência seja solicitada e autorizada, Moro poderá proferir a sentença.
O MPF aponta que a agência de publicidade Borghi/Lowe, que controla contas publicitárias da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde, solicitava a empresas subcontratadas (E-noise, Luis Portela, Conspiração, Sagaz e Zulu Filmes) serviços de publicidade legais, entretanto, as orientava a realizar pagamentos de comissões devidas (no valor de 10% dos contratos) para contas das empresas Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação, com sede em Curitiba, e LSI Soluções em Serviços Empresarias Ltda., com sede em São Paulo, e que eram controladas por André Vargas e seu irmão Leon. Segundo as investigações, a LSI e a Limiar eram empresas de fachada. Estes valores, segundo os procuradores, chegam a R$ 1,1 milhão.
Apurações da Polícia Federal e da força-tarefa do MPF também indicam que as empresas LSI e Limiar receberam, entre os anos de 2009 e 2014, outros R$ 4.086.084,29 em 200 depósitos de empresas dos mais variados ramos. As informações constam de uma planilha apreendida na residência do ex-parlamentar em Londrina, e também de informações repassadas pela Receita Federal por meio da declaração do imposto de renda retido na fonte dos respectivos anos.
Do valor total identificado na investigação, R$ 3.170.292,02 teriam sido depositados nas contas da LSI, como identifica a planilha apreendida na residência da Vargas. Estes recursos foram repassados entre os anos de 2011 e 2014. Já as informações sobre os depósitos na conta da Limiar repassadas pela Receita Federal indicam depósitos de R$ 915.792,27 entre os anos de 2009 e 2012.
Vargas é réu em outra ação penal e responde por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal por meio da compra de um imóvel de luxo em Londrina. Ele segue preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais. Leon Vargas ficou na carceragem da PF por cinco dias e não teve o pedido de prisão prorrogado; já Ricardo Hoffmann continua preso na PF. O empresário até tentou fechar um acordo de colaboração premiada com o MPF, mas as negociações não avançaram.