Lambendo as Feridas.

A primeira intervenção do governo federal após eleito para poder tapar os buracos da crise foi anunciar um ajuste cortando benefícios do trabalhador brasileiro. Lembro-me muito bem que quando postei as medidas anunciadas pelo ministro Levy, e comentei que era apenas o começo de uma grande carga tributária nos ombros do povo, fui duramente criticado pelos defensores do atual governo.

Pois bem, hoje o governo voltou a anunciar novas medidas para tentar barrar a crise que está levando a nossa economia a caminho do fundo do poço. O Governo  anunciou cortes orçamentais de 26 mil milhões de reais e a volta da CPMF(alíquota de 0,2%, que será revertida para a Previdência) para equilibrar as finanças públicas. “Cortes no Bolsa Família, corte no financiamento estudantil e agora corte no programa Minha Casa Minha Vida, justamente os programas que contribuíram para a reeleição de Dilma Roussef e alterações no financiamento do setor da saúde”. A outra alteração introduzida consiste na supressão dos benefícios fiscais para exportadores de produtos manufaturados e para a indústria química, além de ajustes nos juros sobre capital próprio

As medidas foram anunciadas pelos ministros do Planeamento, Nelson Barbosa, e da Fazenda (Finanças), Joaquim Levy, após reuniões no domingo e na manhã desta segunda-feira com a Presidente Dilma Rousseff e com outros membros do governo. Os cortes orçamentais anunciados englobam um adiamento dos aumentos salariais de servidores federais, de janeiro para agosto, a suspensão de concursos públicos, a redução de cargos de confiança política e de ministérios. As medidas devem ser anunciadas até ao fim do mês.

O que será economizado e arrecadado, servirá apenas para a formação de uma cortina de fumaça nas contas publicas. Especialistas dizem que o que já está ruim poderá piorar ainda mais, principalmente pelo descontrole do dólar que está gerando desempregos. O próximo passo será a perda de competitividade  que acarretará no fechamento de empresas.

E a oposição?

O Brasil vive uma crise econômica, com previsões de recessão e inflação alta para este ano, além de uma crise política, na qual grupos de oposição defendem o impeachment de Dilma Rousseff. Neste contexto, a Presidente, que havia afirmado que não haveria mais cortes orçamentais, viu-se obrigada a alterar a sua posição e a oposição aproveita o momento de crise para sangrar o governo no Senado e na Câmara Federal, para muitos esse é o preço pago pelas mentiras ditas em  época de campanha pela presidenta. Nessa história toda quem paga as contas são os contribuintes que a cada dia amargam mais impostos. Engana-se quem pensa que a crise é uma ” marolinha”, na verdade é uma “jaca” gigante que exigirá muito esforço e sacrifícios do povo brasileiro para carrega-la nas costas.

Por fim, a previsão mais otimistas dão conta  que serão necessários mais dois anos para o governo pôr em ordem as contas públicas, estimular a economia e avançar com as reformas estruturais. Nesse período a presidente dependerá  de consenso político para poder governar o país. Porém, os mais céticos dizem que o  governo lançou mão de governar e lambe as próprias feridas, exigindo grandes sacrifícios ao povo brasileiro.

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