O senador Roberto Requião (PMDB) apareceu de olho roxo no horário de propaganda política do TSE na noite desta quarta-feira (10). A lesão no olho, claramente visível, apesar da forte maquiagem, provocou especulações sobre a origem do trauma. Nesta quarta-feira o senador deixou de comparecer a sabatina da Gazeta do Povo alegando “problemas de saúde”.
Datafolha confirma vitória de Beto Richa no 1º turno
A segunda pesquisa do Instituto Datafolha para o governo do Paraná, divulgada nesta quarta-feira (10/09), mostra o crescimento do governador Beto Richa (PSDB), que passou de 39% para 44% das intenções de voto. Roberto Requião (PMDB), segundo colocado, agora aparece 16 pontos atrás: caiu de 33% para 28%. Gleisi Hoffmann (PT), terceira colocada, caiu de 11% para 10%. Ogier Buchi aparece com 1%. Considerados apenas os votos válidos, Richa tem 53% e pode vencer já no primeiro turno.
“Os números mostram que os paranaenses acreditam em nossas propostas para o Paraná continuar avançando”, afirmou Beto Richa. “Confirmam a boa receptividade dos paranaenses a uma campanha verdadeira e sem agressões.”
O novo levantamento indica que, se houvesse segundo turno entre Beto Richa e Requião, Beto Richa vence por 53% a 33%. Em relação a pesquisa anterior de 15 de agosto, Beto Richa abriu 16 pontos sobre Requião.
Em terceiro lugar, permanece a senadora Gleisi Hoffmann (PT), ex-ministra da Casa Civil do governo Dilma Rousseff (PT). Gleisi aparece com 10%, bem abaixo da expectativa petista de levá-lo ao segundo turno. Na pesquisa de agosto, antes do início do horário eleitoral, ela tinha 11%. Gleisi, porém, tem alta rejeição –19% dos eleitores não votariam nela de jeito nenhum, contra 27% de Requião, o líder, e 16% de Richa.
O levantamento foi feito entre segunda (8) e terça-feira (9), com 1.201 entrevistas em 46 cidades do Paraná. Ogier Buchi (PRP) marcou 1%. Os indecisos somam 10%, e brancos ou nulos, 5%. A pesquisa Datafolha está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob os números PR-00031/2014 e BR-00584/2014. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou menos com um intervalo de confiança de 95%.
Beto Richa (PSDB): 44%
Requião (PMDB): 28%
Gleisi Hoffmann (PT): 10%
Ogier Buchi (PRP): 1%
Bernardo Pilotto (PSOL): 0%
Geonisio Marinho (PRTB): 0%
Rodrigo Tomazini (PSTU): 0%
Tulio Bandeira (PTC): 0%
Brancos e nulos: 5%
Não sabe: 10%
Família pressiona Alberto Youssef por delação
Josias de Souza, UOL
A família do doleiro Alberto Youssef o pressiona para que negocie com o Ministério Público Federal os termos de um acordo de delação premiada semelhante ao que foi fechado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Youssef discutiu a hipótese com seus advogados. Não bateu o martelo. Mas sinalizou a intenção de seguir outro caminho. Equipa-se para tentar anular nos tribunais superiores de Brasília o inquérito da Operação Lava Jato e os processos dele decorrentes.
Além da pressão familiar, Youssef recebeu indicações de que sua delação interessa também às autoridades envolvidas no caso. No esquema de corrupção da Petrobras, empreiteiras davam propinas milionárias a políticos governistas para obter contratos na estatal.
Do lado de dentro da Petrobras, Paulo Roberto Costa azeitava os desvios. Desde 29 de agosto, ele conta o que sabe a procuradores e delegados federais. Do lado de fora, cabia a Alberto Youssef lavar o dinheiro sujo. Tornando-se delator, ele permitiria aos investigadores fechar o cerco aos corruptos e corruptores a partir das duas extremidades do esquema.
Deve-se a resistência de Youssef em tornar-se um réu-colaborador ao advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Os dois têm se reunido semanalmente. A última conversa ocorreu há sete dias, na quinta-feira da semana passada. Nela, Youssef relatou a pressão que recebe da família para aderir à delação.
Preso há seis meses, queixou-se das condições carcerárias. Classificou sua situação de degradante. Divide uma cela com outros três presos. Um buraco no chão faz as vezes de vaso sanitário. A água para o banho é fria. Segundo seu relato, a coisa piora nos finais de semana. Fica trancafiado do meio da tarde de sexta até a tarde de segunda, sem banho de sol.
Paulo Roberto, que coabitava a mesma cela, teve, por assim dizer, um up-grade prisional desde que resolveu abrir o bico. Youssef revelou-se preocupado com a rendição do ex-parceiro. Perguntou a Kakay o que achava. O advogado repetiu algo que já dissera ao cliente. Considera desaconselhável a delação premiada. Avalia que há boas chances de anular a Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça.
De resto, Kakay recordou a Youssef que, havendo a delação, ele terá de abandonar a defesa. Advogado de “metade dos políticos e empresários desse país”, como costuma dizer, Kakay já teve alguns de seus clientes alvejados pelo delator Paulo Roberto. Entre eles a governadora maranhense Roseana Sarney e o senador Romero Jucá, incluídos pelo ex-diretor da Petrobras no rol dos supostos beneficiários do propinoduto.
Numa eventual delação de Youssef, o número de clientes de Kakay engolfados pelo escândalo roçaria a casa das duas dezenas.Kakay não defende Youssef na primeira instância do Judiciário. Ali, o doleiro é representado pelo doutor Antonio Figueiredo Basto. O mesmo advogado que assessorou o doleiro no escândalo do Banestado, estréia de Youssef no noticiário policial de âmbito federal. Acusado de ser o principal operador do esquema que movimentou perto de US$ 30 bilhões, Youssef firmou na ocasião um acordo de delação premiada. Por ironia, o juiz que atuava no caso era Sérgio Moro, atual titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processos da Lava Jato.
Embora seja menos enfático do que Kakay, o doutor Figueredo Basto também soa contrário à delação nas conversas que mantém com Youssef. Mas ele não deixa de mencionar os benefícios judiciais que a colaboração poderia render. E realça que, no limite, caberá ao próprio Youssef decidir que caminho prefere adotar.
Se mantiver a disposição de recorrer aos tribunais superiores de Brasília, Youssef terá de se conformar com a perspectiva de uma cana longeva. Antes de chegar à Capital, os processos fazem escala no que os advogados chamam de “tribunal de passagem”, no Estado. A travessia é rápida como o deslocamento de uma tartaruga manca. Em Brasília, Kakay não cogita enfrentar as acusações que pesam contra Youssef. Vai escorar suas petições em “teses processuais”, não no mérito das denúncias.
Kakay coleciona “erros” supostamente cometidos pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Invocando-os, pretende sustentar nos tribunais de Brasília a tese segundo a qual os responsáveis pela Lava Jato não observaram o “devido processo legal”. Outra tese que a defesa pretende esgrimir na Capital é a de que o juiz Sérgio Moro não teria competência legal para tratar, a partir de uma Vara de Curitiba, de um caso que tem abrangência nacional.
Gleisi já se apega a Requião
Já fez efeito o “choque de coordenação” de Paulo Bernardo (Comunicações) na campanha da mulher, Gleisi Hoffmann (PT) e Dilma Rousseff (PT) no Paraná. A ordem é não poupar Beto Richa (PSDB) e tampouco Roberto Requião (PMDB). Na sabatina da Gazeta do Povo, publicada nesta quarta-feira (10) pelo jornal, questionada sobre a rebelião e a superlotação dos presídios, Gleisi apontou falhas que “vem se arrastando’ por várias administrações, seja por falta de investimentos ou por problemas de gestão”. “O Requião criou vagas, mas construiu grandes presídios centralizados, quando o correto seria fazer presídios menores, descentralizados e semiautomatizados”, disse.
Gleisi volta a cutucar Requião ao se defender de ter boicotado o Paraná em relação aos empréstimos e investimentos federais que privilegiam mais estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Talvez nós não tivéssemos o mesmo perfil dos governadores que passaram por lá. Porque Rio Grande do Sul e Santa Catarina sempre foram muito ativos. Mesmo na época de Jaime Lerner, do [Roberto] Requião, do Beto… O Requião não queria investimentos no Paraná; dizia que era autossuficiente” afirmou a candidata. Já ao responder sobre a revisão dos preços do pedágio, Gleisi diz ser contra a prorrogação dos atuais contratos, mas também não é a favor do fim do sistema de concessões, pregado há décadas por Requião. “As ações do Requião [movidas pelo governo quando Requião era governador] que estavam na Justiça não eram para reequilíbrio, eram para revogar os contratos”, disse a senadora.