A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (14) mandados de busca e apreensão em endereços de políticos que são investigados na Operação Lava Jato. A PF esteve no bloco G da quadra 309, na Asa Sul, na capital federal, onde ficam apartamentos funcionais de senadores. Entre os políticos que foram alvo das ações da PF estão os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE). Ciro, que é presidente nacional do PP é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As informações são da Agência Estado.
O nome de Ciro, que preside o PP, e do senador e ex-presidente Collor foram citados pelo doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Lava Jato, como beneficiários do esquema de desvios da Petrobrás. Junto ao material apreendido com o doleiro, por exemplo, foram encontrados oito comprovantes de depósitos a Collor.
Já Fernando Bezerra foi citado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. De acordo com o diretor, Bezerra teria pedido em 2010 R$ 20 milhões para a campanha à reeleição do então governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto em 2014 . Na época, Bezerra Coelho era secretário de Desenvolvimento da administração de Campos.
No Supremo Tribunal Federal (STF), 48 são políticos, entre senadores, deputados e ex-parlamentares, são alvos de inquéritos que apuram suposto envolvimento de parlamentares e autoridades na Lava Jato.
Rodrigo Janot extrapolou todos os limites da legalidade, diz Fernando Collor.
Em pronunciamento nesta terça-feira (14), o senador Fernando Collor (PTB-AL) disse que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, extrapolou todos os limites do estado de direito, da legalidade e das garantias constitucionais ao promover o arrombamento do apartamento funcional que ocupa e de sua residência particular em operação comandada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
Collor disse que foram recolhidos de sua residência equipamentos, papéis desconexos e três veículos de sua propriedade, por meio de uma ação “espetaculosa e midiática com o uso desnecessário” de helicópteros e dezenas de viaturas policiais.
— A operação foi orquestrada por Janot com o intuito mesquinho e mentiroso de vincular a investigação criminosa a bens e valores legalmente declarados e adquiridos muito antes de qualquer investigação de crimes maldosamente a mim imputados — afirmou.
Collor rebateu o argumento de que, após dois anos, a operação fora realizada com o intuito de evitar a destruição de provas. O senador garantiu que a iniciativa de Janot teve como objetivo “constranger, intimidar e promover cena de espetáculo”.
— A operação midiática, em conluio com grande parte da mídia, de forma maldosa e equivocada, deseja fazer com que a opinião pública tenha um juízo equivocado dos reais acontecimentos. Se eu jamais prestei depoimento, se a operação ainda está na fase de investigação, nem denúncia formal ainda houve, isso é ou não é um pré-julgamento, uma pré-condenação? Uma invasão de privacidade, uma tentativa de imputação prévia de culpa, previamente encomendada pelo senhor Janot ? — questionou.
Collor disse que a operação de que foi vítima não consolida a democracia e nem serve para promover a Justiça, assim como o recolhimento de bens declarados por pessoas que não respondem a nenhum tipo de processo, o que também viola a Constituição.
— Buscas, apreensões, invasões e arrombamentos, sejam eles contra qualquer pessoa, são um retrocesso, é voltar ao estado de exceção, à ditadura, desta feita a ditadura do Ministério Público Federal — afirmou.
Collor reiterou que há meses vem denunciando da tribuna do Senado “todos os crimes e falcatruas” de Janot, como vazamentos seletivos e ilegais, “sempre em conluio com grande parte dos meios de comunicação”; os “crimes” cometidos pelo irmão de Janot na Bélgica; a “carteirada” de Janot em um hospital do Rio de Janeiro; o abuso com diárias concedidas por Janot a servidores do Ministério Público; o contrato de empresa de comunicação de amigos de Janot sem licitação; e o aluguel de imóvel de luxo no Lago Sul de Brasília para uso do procurador, entre outras citações.
Collor frisou ainda que a contratação da empresa de comunicação e o aluguel do imóvel em Brasília são objeto de proposta de fiscalização e controle, de sua autoria, já aprovada no Senado e encaminhada para investigação e auditoria pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Após o pronunciamento de Collor, o presidente do Senado, Renan Calheiros, defendeu o cumprimento das garantias constitucionais.
— Nestes tempos de perplexidade, sombrios, em que mais uma vez as instituições, nos seus limites, precisam assegurar as garantias constitucionais, nós não vamos perdê-las sob pretexto nenhum. Os brasileiros e brasileiras sabem exatamente o custo da democracia no nosso país — concluiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

