Num dia de nervosismo no mercado brasileiro, o dólar comercial ultrapassou a barreira de R$ 5,50 e fechou no maior valor nominal – sem considerar a inflação – desde a criação do real. A moeda encerrou esta quinta-feira (23) vendida a R$ 5,528, com alta de R$ 0,118 (+2,19%). A bolsa de valores caiu, depois de passar boa parte do dia em alta, sofrendo com rumores de pedido de demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro.
A eventual saída dele, um dos pilares do governo Bolsonaro e das figuras que mais empresta popularidade ao Planalto, derrubou o Ibovespa, até então em alta, para uma queda de mais de 2%.
A cotação do dólar iniciou a sessão próxima da estabilidade, mas disparou no decorrer da tarde até fechar na máxima do dia, apósa notícias sobre Moro. A divisa acumula alta de 37,75% em 2020. A alta poderia ter sido maior caso o Banco Central (BC) não tivesse intervindo no mercado. A autoridade monetária fez dois leilões de contratos novos de swap – venda de dólares no mercado futuro – e rolou (renovou) contratos de swap antigos que vencerão em junho.
O euro também tem se valorizado muito frente ao real. Nesta quinta, a cotação está em R$ 5,93, uma valorização também superior a 30% em relação ao início do ano. No pregão desta quinta, a moeda europeia atingiu seu máximo histórico nominal. Ambas as moedas atingiram R$ 5 de cotação em março deste ano.
Um dos fatores que também impulsionou a cotação foi a declaração dada ontem (22) pelo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, de que o cenário para a Selic (taxa básica de juros) mudou depois da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Juros mais baixos tornam menos atrativos os investimentos em países emergentes, como o Brasil, estimulando a retirada de capitais por estrangeiros. As tensões políticas internas também interferiram no mercado.
Bolsa de valores
As tensões políticas interferiram na bolsa de valores. O índice Ibovespa, da B3 (bolsa de valores brasileira), fechou esta quinta aos 79.673 pontos, com baixa de 1,26%. O indicador operou em alta até o início da tarde, mas reverteu a tendência no fim do dia. (Diário do Poder)