Diante das incertezas econômicas globais e da pressão inflacionária, o Banco Central (BC) surpreendeu o mercado financeiro ao aumentar a taxa Selic, os juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, atingindo 12,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou a medida como resposta às tensões externas e aos impactos do pacote fiscal recentemente anunciado pelo governo.
Motivações para a Decisão
Em comunicado, o Copom destacou que o aumento acima do esperado reflete a preocupação com os desdobramentos da política fiscal, que influenciam negativamente as expectativas de inflação, o prêmio de risco e a taxa de câmbio. O BC também indicou a possibilidade de novas altas de 1 ponto percentual nas reuniões de janeiro e março de 2024, a depender da evolução do cenário econômico.
Ciclo de Aperto Monetário
Este foi o terceiro aumento consecutivo da Selic, consolidando um ciclo de contração monetária. Após permanecer em 13,75% ao ano por 12 meses, entre agosto de 2022 e agosto de 2023, a Selic passou por sete cortes até maio de 2024, chegando a 10,5% ao ano. No entanto, as altas recentes demonstram uma mudança na estratégia do Banco Central para conter a inflação.
Inflação e Perspectivas
A inflação, medida pelo IPCA, registrou desaceleração em novembro, com variação de 0,39%, mas os preços de alimentos e passagens aéreas continuam pressionando o índice. No acumulado de 12 meses, o IPCA subiu 4,87%, acima do teto da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação: espera-se que o IPCA alcance 4,9% em 2024 e 4,5% em 2025. As previsões refletem os impactos do dólar elevado e da seca prolongada, que podem pressionar ainda mais os preços.
Impactos no Crédito e na Economia
A alta da Selic encarece o crédito, freando o consumo e investimentos, mas ajuda a controlar a inflação. Por outro lado, as previsões de crescimento econômico mantêm-se otimistas. Segundo o boletim Focus, espera-se um crescimento do PIB de 3,39% em 2024, impulsionado pelo desempenho positivo no segundo trimestre deste ano.
A decisão do Copom sinaliza o comprometimento do Banco Central em conter a inflação, mas também traz desafios ao crescimento econômico em um cenário de crédito mais caro e maior custo para as empresas e consumidores.
Com o novo comando do BC assumindo em 2024, o mercado observará atentamente os próximos passos na política monetária e seus impactos na economia brasileira.