A intolerância que saiu dos estádios, plantada por algumas torcidas organizadas, invadiu a política, dividiu igrejas e ameaça a própria democracia.
Já não é mais somente nos estádios que a festa da intolerância acontece. A arquibancada migrou para a política — e assumiu “cadeira” nos parlamentos. Eleitos pelo povo, muitos parlamentares parecem esquecer o povo e passam a defender seus políticos de estimação.
Seja a nível nacional, estadual ou municipal, é questão de ordem! Não se pode rasgar a Constituição — e muito menos passar por cima do regimento interno.
Palavrões tomam conta das redes sociais e, em eventos públicos, socos e pontapés não são mais exceção. Em tempos de polarização extrema, até a cor da camisa pode virar provocação.
As redes sociais viraram plataforma de guerra e de ódio — um campo cibernético onde perfis viram soldados e opiniões, munição. É nesse ambiente tóxico que se constrói a falsa ideia de que adversários políticos são inimigos pessoais e que dialogar é sinal de fraqueza.
Se o ódio continuar crescendo, cada tribo terá sua própria festa; cada estilista, seu modelo e cor preferida para a “festa da democracia”. Mas será mesmo uma festa? Ou apenas um baile de máscaras, onde ninguém mais escuta ninguém?
Nas igrejas, o cenário também não é diferente. Será que o louvor mudou? Muitos trocam o Cristo do Evangelho pelo “enviado” do pastor — como se a fé fosse um jogo de torcida organizada. A salvação, antes prometida para o fim dos tempos, tem dado lugar à obediência cega no presente. Irmãos na fé tornam-se inimigos na política dos homens.
Pois bem, nem tudo está perdido. Na sessão ordinária desta terça-feira, na Câmara Municipal de Colombo, houve espaço para refletir sobre esse clima de polarização. Os vereadores Maicon Martins, Ney Marcelino e Ademar Costa foram unânimes em afirmar que esquerda e direita representam, muitas vezes, faces da mesma moeda. A palavra-chave dita foi justamente essa: a necessidade de reconhecer essa realidade para buscar coerência nas ações políticas. O tom da fala foi de coerência: independentemente de quem esteja no poder em Brasília ou no governo do Estado, os recursos e investimentos precisam chegar até os municípios. A população não pode ser penalizada por disputas ideológicas que se alimentam mais de vaidade do que de responsabilidade pública.