A Voz Feminina que Falta na Câmara de Colombo

A ausência de mulheres na Câmara de Vereadores de Colombo é um sinal claro de que ainda há muito a avançar em representatividade política. Essa é uma luta das mulheres — e não apenas uma causa apoiada por homens. As mulheres precisam e merecem ter representantes que compreendam, de forma profunda e vivida, suas demandas, desafios e conquistas.

Na última legislatura, Colombo contou com a vereadora Dolíria, que resistiu com firmeza e representou a força feminina por dois mandatos consecutivos. Hoje, porém, entre os 17 vereadores eleitos, não há nenhuma mulher ocupando uma cadeira. A princípio, todos são homens. Essa ausência não é apenas simbólica — é uma perda real para o debate público, para a diversidade de ideias e para a construção de políticas mais justas e humanas.

Quem melhor para defender os interesses das mulheres do que uma mulher? É preciso que o sistema eleitoral mude e que a legislação evolua. Atualmente, a Lei nº 9.504/1997, conhecida como Lei das Eleições, determina que os partidos e coligações devem reservar no mínimo 30% das candidaturas para mulheres nas eleições proporcionais (vereadores, deputados estaduais e federais). No entanto, essa cota se refere apenas ao número de candidaturas — e não à distribuição de vagas conquistadas nas urnas.

Na prática, muitas legendas apenas cumprem a exigência formal para registrar suas chapas, sem oferecer estrutura, visibilidade ou recursos equivalentes às candidatas mulheres. Isso explica, em parte, por que mesmo com a lei de cotas, várias câmaras municipais — como a de Colombo — continuam sendo compostas quase exclusivamente por homens.

Existem mulheres que não gostam de política, e isso deve ser respeitado. Mas há também aquelas que buscam se fortalecer e se preparar para defender os direitos das mulheres e ocupar o espaço que lhes pertence por mérito e vocação.

Em relação às cotas partidárias, é fundamental que cada legenda ofereça oportunidades reais às mulheres atuantes e que respiram política, e ao mesmo tempo respeite aquelas que preferem exercer apenas o papel de eleitoras. O que não pode acontecer — e ainda ocorre em alguns casos — é a mulher ser usada apenas como “laranja” para o preenchimento das cotas exigidas por lei.

Esse tipo de prática desrespeita a legislação, enfraquece a representatividade feminina e impede o avanço da participação das mulheres na política. Além disso, pode acabar prejudicando outros candidatos eleitos de forma democrática e legítima pelo voto popular, comprometendo a vontade do eleitor. Em alguns casos, um bairro inteiro e seus moradores perdem um representante atuante, honesto e trabalhador, o que acaba sendo uma verdadeira injustiça política e social.

Há, contudo, propostas em tramitação no Congresso Nacional que buscam corrigir essa distorção. Um exemplo é o Projeto de Lei nº 763/2021, já aprovado em comissão no Senado, que prevê a reserva de 30% das cadeiras no Poder Legislativo (Câmara dos Deputados, Assembleias e Câmaras Municipais) para mulheres. O texto propõe que a distribuição das vagas siga um critério de alternância entre os sexos — a mulher mais votada do partido ocuparia a primeira vaga, seguida pelo homem mais votado, até o cumprimento da cota mínima.

Essa mudança tornaria a representatividade feminina uma realidade concreta, e não apenas um número nas chapas partidárias.

As mulheres não podem participar das eleições apenas para cumprir cotas. É necessário garantir condições reais de disputa, financiamento equitativo e mecanismos legais que assegurem espaço no Legislativo. Uma proposta justa seria garantir que, na distribuição das vagas, ao menos uma seja destinada a uma mulher, desde que o partido atinja o coeficiente eleitoral.

A política precisa ouvir todas as vozes — e a voz feminina, em Colombo, precisa voltar a ecoar com força, coragem e propósito dentro da Câmara Municipal.

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