DESTACANDO: HAICAIS

israel-de-oliveiraHaicai uma forma de poesia inspirada,ou oriunda, do Japão.Consiste  em três versos sendo que  o primeiro precisa ter cinco  sílabas,o segundo precisará ter  sete  sílabas ,e   ultimo  cinco  sílabas -575- A proposta  poética do  Haicai, é apenas  retratar  uma imagem da natureza, sem que aja portanto, conceitos  ideias ou  pessoalidade no poema.

O ambiente natural descrito não precisa ser necessariamente uma floresta,pode ser um jardim, ou mesmo qualquer visão natural mesmo que urbana.Jardim, animais ,plantas, céu  , vento lua e luar  sol  vento, luz,  sons da natureza… Visa  repassar uma impressão quase mística, de de tal forma que a simples contemplação da natureza pudesse  trazer  algum despertar  de percepções adormecidas  no âmago da alma. Por isso o Haicai  foi criado no Japão, e utilizado pelos Taoismo como uma forma de prece íntima. Um mantra  literário que objetivava beneficiar  o escritor antes que o leitor.

Eu creio que a impaciência típica dos  ocidentais, perverteu a forma  e a proposta  literária do haicai. Muita gente  ao escrevê-los sentiu-se compelida a rimar os versos,o que não é  proibido, mas isso criou a compulsão para  continuar  o poema e incluir  conceitos à parte. Creio que foi essa compulsão  que  deu  origem ao Poetrix. Falaremos a respeito  mais tarde  por aqui.

           Meu interesse no Haicai ,já é algo distorcido, confesso. em meus trabalhos de edição de textos, percebo nos autores  uma dificuldade enorme em criar  o ambiente da narrativa.Raros são os escritores,tidos como amadores   que conseguem impressionar  o ,leitor  descrevendo o panorama lúdico do romance.Foi então que pensei em lhes  sugerir  o Haicai como forma de escrever com intenção descritiva do ambiente, explorando o cenário como forma de cativar  o leitor. O que disse aqui  sobre  Haicai é uma síntese interpretativa do gênero; não pretende ser  uma aula  técnica. Fiz alguns ali. Outros da Lira.Vejam aí se errei as  sílabas. Pode ser…Até a próxima.

O trigal move

Acariciando o chão

Sol assando pão.

Na rua absorta

A sombra vaga torta

Como lua morta

A enxurrada

Rasga a rua mole

Esconde o chão

Na amoreira

Move-se o rouxinol

O gato ofega.

O vento sopra

Esparrama as folhas

Árvore flutua

Gato miando

A coruja piando

Rato foge

Lira Agibert

O pirilampo

Ilumina a concha

E guarda no mar

Lira Agibert

Na trovoada

Passarada assustada

Faz revoada

Lira Agibert

 

A folha anda

A formiga carrega

Correição verde

Caminha azul

Olho do gato no céu

A pombinha  voa

A rosa rubra

Chuva molhando o sol

A pétala cai

Farfalha capim

Serpente se contorce

A semente cai.

 A pena rola

Vento parece arfar

A luz  é leve

 

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