Um olhar no “Renascimento Cultural em Colombo

A revitalização do Colombo Park Shopping, pode ser a “peça” que faltava para dar mais “tração” e poder  mover a engrenagem cultural de Colombo. A porta do auditório foi aberta para a Orquestra Sinfônica do Paraná, durante os três dias de apresentação foi sucesso absoluto. Os  movimentos da ” batuta” do maestro que encantou a platéia, pode significar  o nascimento do primeiro templo cultural da nossa cidade.

 Atualmente, os espaços de cultura estão concentrados na Sede do município, mas nenhum com capacidade e localização que possibilite a utilização como teatro e para ser o berço “querido”do renascimento da cultura colombense.

Outro passo importante da  diretora  do departamento de Cultura, Rita de Fátima Straioto, que conta com o apoio da prefeita Beti Pavin, é o espetáculo “Delicadas Embalagens”, novamente no Auditório da Regional Maracanã, um espaço  para a realização de grandes eventos culturais. A peça será exibida no dia 03 de maio, às 14h30 para alunos das escolas públicas e projetos sociais, e às 20h, para a população. http://ivandecolombo.com.br/blog/2017/04/29/colombo-recebe-o-espetaculo-delicadas-embalagens/

Com texto e direção de Sueli Araujo, e parceria com a companhia de teatro CiaSenhas de Teatro,a peça é gratuita. Entre uma cena e outra a agenda cultural vai ganhando espaço e já movimenta o ” passo” da engrenagem cultural dos artistas do município de diversos segmentos. Aos poucos poderemos ter uma agenda bem movimentada na cidade para a valorização da “nossa” cultura. A cidade de Colombo preserva  e valoriza a história e a cultura dos imigrantes italianos, mas a chegada dos migrantes marca  o início de um novo período histórico importante para a evolução social, econômica, política e cultural que altera os ditos e costumes, criando uma nova e rica  diversidade cultural.

A proximidade com a capital Curitiba também atraiu os curitibanos que escolheram a cidade para morar,  consequentemente surgindo um novo choque cultural e religioso com novos hábitos e costumes. O que significa  que há muito tempo a região do Maracanã, Guaraituba e região deixou de ser uma periferia. A força e coragem dos nossos imigrantes, se fortaleceu com a chegadas dos migrantes, pessoas que vieram de diversas cidades do Paraná e de outras partes do Brasil e adotaram essa terra, “berço querido”, como diz o hino,  para aqui viver, trabalhar e criar os seus filhos. É com a contribuição dessa gente que novas páginas da história da Cidade continuará a ser escrita. É também com essa força que move a nossa agricultura, indústria e comércio, é com a mistura de raças, crenças e  costumes que forjamos a nossa identidade  cultural. http://ivandecolombo.com.br/blog/2016/02/27/migrantes-de-colombo-sao-homenageados-em-sessao-solene-da-camara-municipal-de-colombo/

Maria Fortes
Art, Plástica

Colombo é uma cidade de muitos talentos, temos  artistas, compositores, poetas, cantores,  escritores, dançarinos e tantos outros talentos. Vivemos atualmente  uma mistura cultural de tantas tradições e influências  que alteram a  própria língua, forjando uma nova e indefinida cultura que ainda busca definir a sua identidade cultural. O texto “Um olhar no “Renascimento Cultural em Colombo, aborda a visão artística, mas em apenas um piscar de olhos,  a cultura seguirá novos roteiros que virão a contemplar os anseios da alma dos artistas..

Hélio Costa
Poeta e escritor

O escritor, poeta, e  ativista político, Helio Costa, conhecido pelo seu livro Os Guardiões do Portal, diz  “Temos aqui muita gente que tem cultura. Cultura é um amontoado de conhecimentos que deveria servir para tornar os seres humanos melhores. No entanto, não significa que somos um povo de cultura. A cultura de um povo é medida pelos avanços, desenvolvimento e realizações desse povo”.

Silvio Kurzlop, escritor e ativista politico, autor do livro “Mudando o Amanhã”. Recentemente participou do 5º FESTCINE de PINHAIS, onde o seu documentário ganhou o prêmio de melhor Roteiro, acredita que um povo culto contribui com a cidade, não só no modo de convivência na sociedade, mas capaz em fazer boas escolhas nos  seus representantes politicos e como conseqüência todos sairiam ganhando com uma  melhor qualidade de vida.  ” Eu acredito que “cultura” é a maneira como um povo vive. Cultura é a somatório dos nossos costumes, tradições, comportamentos, hábitos, etc. Quando um povo evolui, a sua cultura também evolui. Acredito que se propiciados espaços e formas para que a comunidade manifeste os seus sentimentos, pensamentos, sonhos, desejos e anseios, através de qualquer forma de se expressar; música, poesia, teatro, pintura, literatura e tantas outras formas, poderemos discutir nossos problemas e encontrar nossas próprias soluções para evoluirmos. Ou seja: Se a nossa cultura evoluir, nós também evoluirmos. Precisamos valorizar a “nossa” cultura, que é o caminho para encontrarmos a nossa identidade, resgatar a nossa cidadania e despertar o amor próprio da população. Só assim, conquistando o orgulho de sermos o que somos, entenderíamos a força que temos”.

O artista plástico Rogério Aquino, que apresenta seus trabalhos na Casa da Cultura e expõe seus trabalhos em muros e fachadas em Colombo, também deu a sua opinião sobre cultura. ” É o que nos define como seres conscientes e cientes de nossos dilemas e contradições. Cultura pra mim é o que nos faz questionadores e pensantes através do que a arte nos proporciona. É o que nos diferencia dos animais. Cultura traz dignidade, cidadania e bem estar. Movimenta o turismo, o comércio e ajuda a definir quem somos. Sempre cito uma frase…..”ONDE HÁ CULTURA, HÁ PAZ. ONDE HÁ PAZ, HÁ CULTURA. (Nicholas Roerisch) Filósofo, artista plástico e ativista russo. Fundador da cultura da paz, referendado pela UNESCO”.

O que pensa o Sociólogo Israel de Oliveira

Israel de Oliveira
Sociólogo

Uma abordagem geral no que poderia tomar como referências estruturais culturais de Colombo. ”  Um interessante e muito útil livro escrito por um descendente de imigrante italiano radicado em Colombo, Sebastião Ferrarini, descreve a várias famílias que colonizaram a cidade. Suas descrições revelam implicitamente os costumes dos fundadores de Colombo. Muito significativo ainda em “Colombo Centenário de Imigração Italiana”de Ferrarini, é a correlação abundante e explicita dos nomes e famílias fundadores colônia Alfredo Chaves.

 Butiatumirin, contudo, o nome dado para a região colonizada, é de origem indígena como se percebe. A chegada dos imigrantes vindos de Morretes formará colônia Alfredo Chaves. Pode-se saber muito sobre a Colombo antiga   nesse ótimo livro. Minha menção, contudo, é apenas para evocar a cultura original dessa cidade. Isso é de extrema relevância para se analisar   o desenvolvimento cultural e político dela.

 O primeiro aspecto cultural relevante em uma cidade é a sua constituição histórica. Nisso se descobrirá muito das tendências culturais herdadas quase coercitivamente. Fundada e desenvolvida por italianos não há como se fugir   dessa influência cultural em Colombo. Portanto num primeiro momento é imposta de maneira natural para a cidade as características próprias dessa cultura. Festas, organização político urbana, religiosidade, culinária, e por muito tempo essa influência persistirá na arquitetura na culinária formando uma dialética cultural monopolizadora. Nesse período se via espalhado pelo município a predominante presença física italiana.

 Com o passar dos anos vai surgir a diversidade cultural que se tornará minimamente conflitante agora já no fim da segunda década   do segundo milênio. Como pode ser assim? Imagina-se que a predominância da cultura Italiana haveria de se impor facilmente por tanto tempo em meio a uma maciça ocupação urbana que tomou quase totalmente o território de Colombo? Não. Tal fenômeno não ocorre em função de uma cultura meramente ocupacional. Por assim dizer a ocupação italiana não se manteve predominante e já é quase socialmente irrelevante, porém os Italiano descendentes dos fundadores dominam a política ainda hoje de maneira quase predadora. O que gera isso? Gera o desinteresse pela diversidade. Quando ainda   tinham seus atrativos conseguiam manter suas festas seus folclores, o “circuito italiano” de turismo rural, sem rural, ainda no foco do interesse histórico e comercialmente atraente a seus investidores. Mas, não há cultura, nem política, que não se pulverize numa extrema densidade populacional, quando a diversidade cultura lhes fecha as garras.

 As novas demandas culturais não foram sequer percebidas em Colombo. E esse fato também passaria despercebido pela população, bastava que a demanda social mais urgente houvesse tido respostas satisfatórias. Parece que os políticos nunca aprenderão que um povo se revela pela cultura, e é através dela que manifestará a eles o seu veredito final. Certamente sucumbem na armadilha de sua falta de discernimento entre o que é cultura e o que é educação.Não fornecem educação porque temem a cultura. Que erro desastroso, pensar que a cultura é refém da educação formal.

Por outro lado, podem cogitar que sem a educação formal se produzirá um tipo de cultura totalmente irrelevante. Só que não. Ou ainda se poderia dizer SQN e seria   do ponto de vista da comunicação a mesma coisa e produziria a mesma reação cognitiva. Daqui se infere a máxima “Durkaiminiana” da Sociedade como um organismo. E como um organismo ela encontra, ou produz as suas soluções, gostem ou não dessas soluções. E  a partir dessas  soluções é que o perfil social e sociológico se desenrolará. Por perceberem, os incautos, somente a diversidade de valores antagônico ou nocivos desenvolvidos nesse processo, uma grande quantia de insensatos promove distinção de classes e assinalam com algum tipo de segregação social. Conseguem através da desqualificação do indivíduo a desqualificação de uma sociedade inteira, gerando a discriminação, e atualmente se percebe, até o ódio de classe.

             Por ser Colombo parte da região metropolitana de uma grande cidade, fundada com bases culturais semelhante àquela mesma que a fundou, não escapa ilesa ao crescimento desordenado e ao vácuo cultural gerado pela pulverização das culturas dos primórdios da fundação. Segundo Sebastião Ferrarini o comentarista que redige esse texto, morava   em 1975 em uma Colombo com menos de 23 mil habitantes. A rua que este morava   era Mocelin que se cruzava com Mottin, Cavali, Pavin, Strapssons, Alberti… A população atual do Jardim Osasco e possivelmente mais um ou dois bairros adjacentes a ele tem quase  o dobro disso . Essa densidade populacional é quase que totalmente desinteressada na cultura raiz de Colombo. Mas, Colombo acreditou que podia lhes enfiar goela abaixo essa cultura bastando dar um certo tempero popular. Logo a sociedade viu quanto custava tal tempero e começou-se a discutir a relevância disso, pois notadamente não tem mais interesse nesse prato principal. Não faz mais sentido fazer festa   para uma uva que não existe mais. Logo se começou a discutir a reposição cultural em contrapartida à supressão de algumas culturas tradicionais. Se tal discussão avançar, é de se crer que não avançará, pode ser que se tenha começado uma tímida, mas emblemática revolução cultural em Colombo. 

Identidade Cultural

             Curiosamente, inadvertidamente, com a supressão recentemente dá realização de uma expressão cultural tradicional em Colombo alguns militantes culturais dizem que se perde a identidade cultural da cidade. Vamos torcer para que estejam certos, pois está mesmo na hora de se ter uma identidade cultural que seja “identificada” com a população, e discuti-la nessa  perspectiva. Nesse ponto surge um dilema: Identificar cultura não é tão simples quanto parece a alguns apressados. É necessário certo discernimento sociológico e um pouquinho de argúcia técnica para tal. Vamos imaginar um simples teólogo convicto substituindo Darwin bem nomeio da sua pesquisa. Que imbróglio científico se teria? Nenhum. Simplesmente se encerraria a pesquisa.

               Um trabalho honesto, para que apenas se descubra na diversidade de cultura, a identidade cultural de Colombo, começaria não por um mero cadastramento de artistas, como se bastaria nos anos 80. Seria preciso primeiro ao estudioso, ser capaz de identificar cultura por vários aspectos práticos e sociológicos. Temo que se comece por fazer apenas um levantamento baseado em uma única perspectiva cultural, pois já se pode apostar qual seria tal perspectiva.  Poderá ser alguma coisa do tipo: Vê qual é o teor de “italianidade” que persiste por aí e vamos reorganizar isso.

               Pelos aspectos das artes, a cultura literária em Colombo é relevante. Baseada ainda   numa expressão egocêntrica, seus escritores na maioria não se definem com escritores, e não pretendem buscar a excelência. Mas, entender e verificar o potencial deles é importante nesse momento. Reunir e suscitar o aprimoramento entre eles através de concursos e clubes literários funcionaria muito bem. Viabilizar publicações criar premiações. “Prêmio Colombo de literatura”. Na música Colombo já é bem mais desenvolvida realmente, que em literatura. As vezes se encontra escritores que seriam extraordinários se escrevessem como cantam. Nesse aspecto da arte musical, é onde há o maior descaso e deficiência. Em parte, porque não é fácil lidar com o ego do músico, que é muito maior que o ego do escritor. Mas isso não tem a menor importância no tratamento com essa cultura, que em Colombo é profícua. Festivais de música colombense contendo as mais variadas vertentes musicais seria muito show, muita gente, muito sucesso.

 Danças? Há em Colombo. Artes cênicas há em Colombo. Hip Hop, com alguns beboys premiados fora do Brasil há em Colombo. Cineastas há em Colombo. O que não há em Colombo é alguém nem no poder público, muito menos se diria, na iniciativa particular predispostos a investir reflexões, tempo, e um mínimo de dinheiro nisso.

A mídia alternativa começa se interessar por isso, mas temo que apenas por falta de conteúdo e não por uma ideologia fundamentada no desenvolvimento cultural da  cidade. Torço para que a italianidade tenha perdido força como única cultura relevante em Colombo. E que isso suscite novos pensamentos, novas ideias e novas propostas culturais para essa cidade importante como meio urbano de potencial cultural

 De outro lado um olhar geral para a cultura do senso comum, em Colombo o que se notará é a mais óbvia manifestação da cultura global centrada nas expressões artísticas históricas e contemporâneas. Ora uma coisa mais que outra, dependendo da arte expressa. Na música por exemplo prevalece a influência dos anos 80 – 90, tanto internacional como nacional. A internacional retrocede um pouco mais talvez, com covers de Creedence, muita atenção para Bob Dilan…Mas   o mais comum é que seconsome as bandas   mais recentes anos 80 e 90. E os dances contemporâneos.  Naturalmente o novo sertanejo ocupa um imenso espaço, mas ainda há uma boa fatia de consumidores de sertanejo antigo e até mesmo raiz. Esse caldeirão um aspecto muito comum quando há o esvaziamento da cultura típico regionalista.

O consumo de tecnologias alavanca o maior fenômeno da comunicação desde a invenção da prensa de Gutemberg, e a edição de mídia impressa: a internet. Podemos deixar ao imaginário de cada um, quais são as influências e alterações culturais que resultam disso. São alimentados o suficiente pela própria   Net para fazer a melhor ideia disso.

Uma alteração social com amplo alcance sociológico, porém, quero descrever: O acesso ao conteúdo cultural é quase infindo. Por conta disso muita gente que antes não podia acessar e consumir cultura e informação, está repaginando suas próprias experiências culturais por poder, agora sim, ouvir tudo que não pode ouvir antes, e saber muito do que sempre quis saber antes. Se diria que a Net nos deu a   capacidade de uma releitura da nossa própria história e a resinificação dela. Mas principalmente a capacidade de produzir sua própria expressão cultural e de certa forma se “glamourisar”. A resinificação do ego, portanto está implícita.

Como isso afetou Colombo? Da mesma forma como afetou o mundo inteiro, mas com algum atraso virtual, por assim dizer. Quase nenhuma novidade no panorama cultural de Colombo, portanto, no tocante ao consumidor de culturas gerais.Contudo a dinâmica desse consumo é reveladora do vácuo cultural específico no aspecto artístico realizando-se na sociedade Colombense.  Diga-se, qualquer empreendedor razoavelmente qualificado que se aplicar em resoluções culturais em Colombo estará no rumo certo para o retorno de seu investimento. Seja tal investidor um mero cidadão ou um homem público ansiando perspectivas políticas.   

 

 

 

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