BOMBA !!!! Gabrielli aprovou negócio suspeito, diz Cerveró

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró justificou que a compra dos navios-sonda de perfuração marítima - que segundo a investigação da Operação Lava-Jato seriam alvo de US$ 30 milhões em propina -ocorreu "fora de procedimento licitatório" para atender a uma "necessidade imediata da Petrobras".
"Gostaria de esclarecer, de forma espontânea, que a aquisição das sondas em questão se deu fora de procedimento licitatório, por ser incabível diante das circunstâncias que cercavam o negócio, que visava atender uma necessidade específica e imediata da Petrobras", afirmou Cerveró. As informações são do Correio Braziliense.
Acompanhado do advogado de defesa Beno Brandão, Cerveró contou ainda que a aquisição dos navio-sonda foi aprovada pela Diretoria Executiva e pelo presidente da estatal, à época, Sérgio Gabrielli, que, ao deixar o cargo, foi nomeado membro do Conselho de Administração da Petrobras. "As operações foram aprovadas pelo Diretoria Executiva, comportada por seis diretores e o presidente, a quem cabe examinar a compra de equipamentos e a construção de refinarias e gasodutos", disse Cerveró.
Ele lembrou que a compra "não passou pelo crivo do Conselho de Administração, ao qual compete examinar a aquisição de participações societárias e a definição de planejamento estratégico". Em 2006, a presidente Dilma Rousseff fazia parte do colegiado administrativo da petroleira. Gabrielli não se manifestou sobre as declarações.
Operação
Cerveró negou ter recebido propina e deu detalhes de como funcionou a negociação para a compra dos equipamentos. Ele também refutou ter havido algum tipo de "interveniência ou participação" de Fernando Soares, o Fernando Baiano, no negócio. Segundo o ex-dirigente, no entanto, Baiano pode ter feito algum tipo de tratativa com Júlio Camargo, da empreiteira Toyo Setal, e presumiu que o executivo tenha recebido comissão pelo negócio. Porém, afirmou desconhecer o valor da propina. O ex-diretor admitiu ter mantido contato com Julio Carmargo e Fernando Baiano, mas negou envolvimento com o doleiro preso Alberto Youssef.
Nas negociações sobre os navios-sonda, Cerveró citou ainda a Mitsui, empresa de Júlio Camargo que "veio formar uma sociedade com a Petrobras para adquirir sondas de perfuração de petróleo, equipamento escasso no mercado", relatou. Ele ressaltou que a Petrobras constituiu uma subsidiária no exterior em partes iguais com a Mitsui, e que a empresa comprou as sondas para, mais tarde, alugá-las à Petrobras.
Em delação premiada, Júlio Camargo admitiu ter pago propinas para a Fernando Soares em duas negociações de sondas, e indicou contas onde depositou o dinheiro no exterior. Além da Mitsui, o ex-diretor da Área Internacional citou também a Schahin, empresa próxima do petista João Vaccari Neto, tesoureiro do partido.
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