A Secretaria Estadual de Segurança Pública informou ontem que foram identificados mais de 1.100 integrantes de facções (entre elas o PCC) ou que tenham alguma ligação com grupos criminosos presos no sistema penitenciário do Paraná. A declaração foi dada pelo secretário Fernando Francischini, que também confirmou que o objetivo é transferir todos estes criminosos para a unidade de segurança máxima que deve ser oficialmente anunciada nos próximos dias. As informações são da Folha de Londrina.
O órgão ainda reforçou que a penitenciária que deve abrigar os presos considerados de maior periculosidade vai passar por uma readequação antes de entrar em funcionamento e, além disso, contará com uma equipe de policiais especializados e treinados para conter rebeliões. Entretanto, Francischini não quis antecipar qual das penitenciárias já existentes vai abrigar esta nova estrutura.
“Sabemos que o crime organizado hoje está dentro do sistema penitenciário do Paraná, e estamos trabalhando de forma firme para combater a atuação destes bandidos. Nos próximos dias, vamos inaugurar nossa unidade de segurança máxima. É uma unidade que está sendo reestruturada, então o investimento financeiro não é de grande porte, na realidade é um redimensionamento de uma unidade já existente. Todos estes presos que são líderes e faccionados, que comandam rebeliões, vão estar nesta unidade, onde o isolamento absoluto não vai permitir o uso de aparelhos celulares”, destacou.
Não é de agora que as autoridades apontam a atuação de facções criminosas dentro de presídios no Estado. Em março de 2013, numa ação coordenada em conjunto com a Polícia Federal, foram transferidos 38 presos de facções criminosas que estavam no Paraná para dois presídios federais de segurança máxima (Porto Velho-RO e Mossoró-RN). Meses depois, em dezembro do mesmo ano, um relatório divulgado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou que o Paraná era o segundo estado com mais integrantes identificados (656), logo atrás de São Paulo.
“É um problema grave que estamos enfrentando, pois são presos ligados a facções do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tanto que o secretário de Segurança do Rio (José Mariano Beltrame) esteve aqui no início da semana, porque sabe que os membros de grupos criminosos vêm ao Paraná buscar drogas e armas na fronteira com o Paraguai. Isso precisa ser combatido e estamos conversando para atuar numa parceria direta na região de fronteira”, completou o secretário Francischini.
