A exemplo dos testes sísmicos realizados no final do ano passado na região de Londrina, agora a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) irá buscar gás e petróleo em Ribeirão Claro e cidades da região do Norte Pioneiro. Os testes começam nesta sexta-feira, 27, e vão até outubro. A operação será realizada com caminhões que emitem vibrações captadas por sensores instalados às margens das rodovias PR 431, 218, 092 e 517.

Ribeirão Claro tem como fronteira natural o Rio Paranapanema, na divisa com Chavantes, no Estado de São Paulo. É uma região panorâmica com montanhas e colinas cobertas de vegetação remanescente da Mata Atlântica.
De acordo com informações divulgadas pelo site Massa News, desta vez a empresa contratada pela ANP, a Global Serviços Geofísicos, admite que o equipamento de 29 toneladas provoca ‘pequenos tremores em áreas próximas’ às rodovias pelas quais percorrerá e os resultados são registrados para análise posterior.
“Mais uma vez a ANP age de forma sorrateira, avisando às vésperas de testes exploratórios desta natureza sem oferecer detalhes com antecedência e transparência à população sobre os riscos de se fazer a exploração de gás de xisto pelo fraturamento hidráulico (FRACKING)”, alerta o fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade, Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo. Junto com a 350.org Brasil e parceiros, a COESUS realiza a campanha Não Fracking Brasil desde 2013 para alertar sobre a ameaça do Fracking para o futuro do Brasil.
Há o temor que numa próxima rodada de leilões da ANP sejam ofertados blocos para exploração de gás de xisto (folhelho pirobetuminoso) que irão atingir 172 cidades do Paraná. Em 2013, o governo brasileiro vendeu blocos para a exploração em 122 cidades localizadas entre o Noroeste, desde Umuarama, Oeste, passando por Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu, até o Centro do estado na região de Guarapuava. Caso se confirme, dos 399 municípios, o Paraná poderá ter mais de 2/3 do território contaminado pelo FRACKING.
“A insistência da ANP em destruir a agricultura do Paraná e em contaminar nossa água me remete aos tempos medievais, onde o interesse da população em nada era respeitado. Milhões de Paranaenses já disseram não às técnicas de exploração de gás e óleo não convencionais, em especial aos que usam a técnica conhecida como FRACKING. É uma insanidade insistir no gás da morte”, lamenta. Agora em maio, a cidade de Umuarama foi considerada território live do Fracking ao aprovar legislação proibindo operações para exploração de gás de xisto.
O que é Fracking
FRACKING é o método não convencional altamente poluente para exploração de petróleo e gás de xisto (shale gas) que o governo brasileiro quer implantar no Brasil, sem nenhuma consulta à sociedade, aos prefeitos e vereadores, integrantes dos movimentos social e ambientalista, povos indígenas ou comunidades tradicionais.
No processo são injetados milhões de litros de água, toneladas de areia e um coquetel com mais de 600 produtos químicos para fraturar a rocha e liberar o gás metano. Muitos destes produtos são tóxicos, cancerígenos, radioativos. Parte do fluído volta à superfície pela tubulação e chega às areias de rejeito; outra parte fica no subsolo e percola (sobe) através de micro fraturas da rocha até à superfície e também atinge os aquíferos e lençóis freáticos, contaminando o solo e o ar junto com o metano liberado.
Pelo menos 372 cidades em 15 estados brasileiros podem ser impactadas pela exploração pelo métodoFRACKING, isto porque a ANP já vendeu blocos em várias rodadas de licitações. Destes 15 Estados, o Ministério Público Federal, sensibilizado pela COESUS e parceiros sobre os riscos ambientais, econômicos e sociais, conseguiu suspender liminarmente os efeitos dos leilões em seis totalmente, e um parcialmente. “Os demais estados estão à mercê do FRACKING, infelizmente”.
A contaminação se dá num raio de até 80 quilômetros de cada poço perfurado, provocando um rastro de destruição nas cidades vizinhas, poluindo as reservas de água, inviabilizando a produção de alimentos e causando câncer nas pessoas e animais. Fracking também está relacionado à ocorrência de terremotos e intensifica as mudanças climáticas.
Assessoria de Imprensa a 350.org Brasil e América Latina e COESUS