
Atendendo ao convite feito vereador Gilgera (PSDB), a sargento Tânia Guerreiro utilizou o espaço destinado à Tribuna Livre para falar a respeito da pedofilia. O foco de sua explanação foi a conscientização de que a pedofilia é um problema de todos. Iniciando a sua apresentação, a sargento abordou as maneiras de agir do pedófilo, suas preferências e oportunidades e dados estatísticos. “O pedófilo não tem um perfil específico, não tem rosto, modo de andar e se vestir. Cada pedófilo age de uma forma. Se não é próximo da criança, ele se aproxima dela e da família. Você pode estar ao lado de um, conviver com ele e nem perceber. Ele só age entre quatro paredes, porque tem domínio absoluto sobre a vítima. Eu oriento os pais para não colocarem fotos e vídeos de seus filhos nas redes sociais. O pedófilo pode ser qualquer pessoa, independente de idade, religião, profissão, classe social ou graduação. Ele tem vida sexual normal, pode amar a vítima ou não nutrir nenhum tipo de sentimento por ela. Ele se sente atraído pelas características infantis e pelo fato de ter domínio absoluto sobre a vítima, não importando o sexo, vínculos afetivos ou familiares.
É praticamente impossível identificá-lo, pois se trata da rede criminosa mais organizada do mundo. A pedofilia existe no mundo inteiro. Eles se reconhecem entre si por meio de símbolos em pingentes, anéis, tatuagens, entre outros. Os pedófilos usam qualquer artifício para conseguir o que querem. É um crime que se perpetua no silêncio. A pedofilia é um crime que não tem justificativa. No Brasil, a cada oito minutos uma criança é abusada”, detalhou.
De acordo com a sargento, não é somente o homem que pode ser pedófilo. “90% dos pedófilos são homens. As mulheres que abusam sexualmente de crianças e adolescentes correspondem a 10% dos agressores. Elas existem e estão dentro de casa, dentro das famílias. É um número significativo de mães que deveriam proteger, são mães abusadoras, mas o pior é a mãe conivente. Isso muito me entristece. 90% das esposas dos pedófilos são coniventes, quando as crianças contam, elas acham que estão inventando, principalmente se for o padrasto. Temos 67% de pedofilia praticado pelos padrastos e 20% os pais.
Em muitos casos, a criança não fala que está sendo abusada, mas ela muda seu comportamento. Essa mudança de comportamento da criança deve ser observada e acompanhada. Pode ser um indício de que ela está sofrendo abuso. Caso as mães tivessem mais atenção com os seus filhos menores 90% dos crimes de abuso sexual envolvendo crianças poderiam ser evitados. A criança leva para sempre uma cicatriz na alma. As vítimas possivelmente serão usuários de drogas, homicidas ou até mesmo um pedófilo. De 25% a 30% das vítimas de hoje serão os pedófilos de amanhã”, expôs.

Tania enfatizou que devem ser feitas leis para a proteção das crianças. Além de alertar para o problema da pedofilia, Guerreiro tem como sua principal luta tipificá-lo como crime. Em todas as suas palestras, a sargento tem viabilizado a coleta de assinaturas através de um abaixo-assinado que visa garantir a inclusão da pedofilia no texto do Código Penal Brasileiro como crime hediondo prescrito pela Lei 8.072/90. “Sem lei não há proteção. Temos que punir com rigor o pedófilo. Só com leis para combater. Atualmente, a pedofilia não está tipificada em lei como crime. Estou há 19 anos juntando assinaturas para que a pedofilia seja tipificada como crime no Código Penal com pena de 30 anos em regime fechado, sem direito aos indultos. Para isso são necessárias 1.300.000 assinaturas no abaixo-assinado.
Ainda de acordo com a sargento Tânia, ela informou que ajudou a desenvolver cartilhas explicativas sobre a pedofilia para o Governo do Paraná com o objetivo de orientar os profissionais da polícia a lidar com as vítimas e os agressores. Esse material pode ser acessado através do site da Polícia Militar do Paraná através do link http://www.pmpr.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=547
Ao finalizar sua apresentação, a sargento Tânia Guerreiro agradeceu a oportunidade de divulgar o assunto e pediu apoio para atingir o número de assinaturas necessárias. Os vereadores aproveitaram a oportunidade para elogiarem as ações e o trabalho realizado pela sargento e a iniciativa do vereador Gilgera (PSDB), sanaram suas dúvidas, fizeram suas considerações e se comprometeram a ajudar. O presidente do Legislativo, vereador Vagner da Viação (PRB) agradeceu a presença, a apresentação e o trabalho desempenhado pela sargento. “Sabemos que é um assunto assustador e ao mesmo tempo delicado. Pensamos que essas coisas estão longe de nós, mas elas não estão. Estão bem próximos de todos nós. Seria interessante que conseguíssemos identificar um pedófilo, mas infelizmente isso não é possível. Quero deixar a Casa à disposição. Iremos olhar com muito carinho o andamento dos projetos de lei referentes ao assunto da violência e da pedofilia”, frisou. (Câmara M,unicipal de Colombo)
Vídeo BLOG IVAN DE COLOMBO