No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o projeto “Quebrando o Silêncio” usa tribuna livre para falar sobre esse tema

Durante a sessão ordinária realizada nesta última terça-feira (25/09), no espaço destinado à Tribuna Livre, a convite do vereador Renato Lunardon (PV), a pedagoga Rael Pereira Braz explanou sobre a prevenção ao suicídio. Em sua apresentação, Rael apresentou índices acerca do suicídio, explicou sobre seus mitos, fatos e seus sinais de alerta.

“Nove em cada dez casos de suicídio podem ser evitados. Para isso, precisamos do envolvimento do poder público para fazermos ações e políticas públicas eficazes”, enfatizou a pedagoga Rael.


A cada ano, 800 mil pessoas no mundo todo tiram a própria vida segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio já é a segunda causa mais comum de mortes, ficando atrás apenas dos acidentes de trânsito. No Brasil, o número de jovens que tiram a própria vida vem aumentando. Estima-se, ainda, que 32 brasileiros se suicidam diariamente. Outros grupos ainda são afetados como idosos, indígenas e pessoas com deficiência. Desinformação e vergonha em falar sobre esse tema refletem nos números de óbitos. Os comportamentos a serem observados nas pessoas mais vulneráveis são isolamento, tristeza constante, queda no desempenho escolar, crises de raiva e baixa autoestima, entre outros. A Campanha “Setembro Amarelo” tem o objetivo de prevenir, conscientizar e valorizar a vida.

“A cada 40 segundos, alguém comete suicídio ao redor do mundo e no Brasil, ocorre um suicídio a cada 45 minutos. Esses índices são alarmantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirma a importância de todos os países adotarem estratégias de prevenção com eficácia comprovada. Um relatório da agência da ONU apontou ainda que esta foi a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos, perdendo apenas para os acidentes de trânsito. Segundo a ONU, 90% dos casos poderiam ser evitados. Aqui no município de Colombo, em 2013, por exemplo, para cada 100 mil habitantes, tivemos 3,08 óbitos decorrentes de suicídio. Temos que fazer a nossa parte para tentarmos diminuirmos esses índices”, disse Rael.

De acordo com a convidada, uma das maneiras dos suicídios serem evitados é a escuta efetiva do que a pessoa com pensamentos suicidas tem a dizer. Além disso, prestar atenção aos sinais que podem desencadear é fundamental. “Um dos aspectos mais importantes na prevenção é ajudar quem tem ideias suicidas a encontrar ou redescobrir um sentido para a vida. Nós devemos conversar com essa pessoa a fim de entender a razão de sua tristeza e incentivá-la a buscar ajuda profissional. A saúde mental importa tanto quanto a saúde física. Devemos ouvir o pedido de ajuda com atenção e respeito. Temos que dar abertura para que a pessoa possa se sentir confortável em desabafar. Na maioria dos casos, o suicídio não é motivado pela vontade de morrer, mas sim pelo desejo de se livrar da dor e da angústia que atormenta dia e noite”, salientou.

| Ainda de acordo com a pedagoga, especialistas garantem que é um mito a ideia de que quem anuncia que tirará a própria vida não o faz. Em grande parte dos casos, as pessoas avisam antes e exibem sinais que poderão resultar na tentativa de suicídio. Apesar de, muitas vezes, os sinais serem de difícil detecção. “Ao falarmos sobre suicídio temos alguns mitos e eles devem quebrados e esclarecidos. O pedido de socorro acontece de várias formas. Muitas atitudes podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade, nível extremo de impulsividade, mudança no comportamento, piora no desempenho escolar, perda do censo de perigo, verbalizar que deseja morrer e automutilação. Notamos que as pessoas que cometeram suicidaram deram sinais antes de cometer o ato. É importante observarmos como essa pessoa se refere à própria dor, tristeza e desesperança. Frases típicas como “Por que Deus não me leva?” e “Não sei para que continuar vivendo” são bem típicas. Ter solidariedade e empatia com o problema alheio é fundamental para reduzirmos esses índices. Devemos nos livrar dos julgamentos e oferecer atenção, não importa o que esteja motivando este sofrimento. devemos escutar e amparar. Um simples gesto pode salvar uma vida”, explicou Rael.

A convidada também enfatizou que precisamos estar atentos com relação a automutilação. “Muitas vezes as lesões ficam em locais escondidos, como mordidas, manchas, arranhões e queimaduras que nem sempre são nos braços ou nas pernas. Fique atento se você vê alguém, mesmo com temperatura quente, usando blusa de manga comprida ou jaqueta o tempo inteiro. Ele pode estar escondendo lesões. Em muitos casos a dor emocional é tão grande que a pessoa resolve se automutilar”, alertou.

Os vereadores fizeram suas considerações a respeito do tema apresentado, parabenizaram a explanação e elogiaram os trabalhos que já estão sendo realizados pelo Projeto “Quebrando o Silêncio”. O vereador Renato Lunardon (PV) agradeceu a presença e a disponibilidade da pedagoga em atender o seu convite. O vereador lembrou também que é preciso valorizar a vida e compreender a dor do próximo.
O presidente da Casa, vereador Vagner da Viação (PRB), salientou a importância do tema abordado. “Quero agradecer a presença da pedagoga Rael. Esse assunto é de tamanha relevância para a nossa sociedade e no nosso dia-a-dia. Embora o assunto seja delicado, é preciso falar sobre o tema, esclarecer dúvidas e compartilhar informações. Aproveito a oportunidade para parabenizar o vereador Renato Lunardon pela iniciativa e pelo convite. As portas do Legislativo estão sempre abertas e nos colocamos à disposição”, declarou.

Setembro Amarelo – As campanhas do Setembro Amarelo foram iniciadas em 2014 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) que visam, por meio do esforço coletivo e das organizações engajadas, quebrar tabus que cercam o tema. As principais causas do suicídio são bullying uso abusivo de álcool e drogas, luto, culpa, relacionamentos, abusos e depressão.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que a data de 10 de Setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Para a OMS, de cada dez suicídios, nove podem ser evitados desde que a pessoa seja acolhida e tratada adequadamente. Ainda de acordo com o órgão, cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida no Brasil, a cada ano. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), 90% dos casos poderiam ter sido evitados, se os sinais claros de pedido de ajuda fossem identificados em tempos e essas pessoas tivessem o encaminhamento adequado para tratar seus problemas emocionais.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) possui profissionais qualificados que promovem apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail e chat 24 horas. Mais informações podem ser obtidas no site www.cvv.org.br).


     

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