“A política de Colombo vive um novo capítulo após a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que julgou procedente a ação movida pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) contra o MDB, por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024. Por 6 votos a 1, os desembargadores eleitorais entenderam que houve fraude à cota de gênero da candidatura de Ângela Maria Uber na eleição de 2024.
A decisão, divulgada nesta segunda-feira (20), declarou a inelegibilidade da ex-prefeita Beti Pavin até 2032 e determinou a perda de mandat0 do vereador Élcio Augustinho Surdi, conhecido como Élcio do Aviário (MDB).
O Tribunal entendeu que houve uso irregular de candidaturas femininas apenas para o cumprimento formal da cota de gênero — prática vedada pela legislação eleitoral. (https://www.youtube.com/watch?v=Ux-9Wv0Zi2I)”.
Com o resultado, o TRE determinou a anulação de todos os votos obtidos pelo MDB na disputa proporcional. Na prática, isso significa que o partido deixa de participar da contagem de votos para vereador.
Dessa forma, será feita uma nova totalização dos votos válidos, como se o MDB nunca tivesse participado da eleição, o que altera diretamente o coeficiente eleitoral e, consequentemente, a composição da Câmara Municipal de Colombo.
Recontagem e critérios eleitorais
Após a anulação dos votos do MDB, o Tribunal deverá realizar uma nova totalização com base nos critérios previstos na legislação eleitoral.
O primeiro passo é identificar quais partidos alcançaram o coeficiente eleitoral, ou seja, o número mínimo de votos necessários para garantir uma cadeira na Câmara.
Em seguida, aplica-se o cálculo das chamadas “sobras”, seguindo a regra 80/20, que estabelece que:
-
o partido deve alcançar 80% do coeficiente eleitoral;
-
e o candidato, individualmente, deve atingir 20% desse coeficiente.
Quem entra e quem sai
Durante a recontagem, alguns partidos não atenderam aos requisitos exigidos pela lei.
Por exemplo, o Partido Novo e o Solidariedade, embora tenham conquistado mais votos que o PT, não apresentaram candidatos que alcançaram os 20% mínimos exigidos individualmente.
Anderson Prego havia sido o mais votado do município, mas, por causa do coeficiente eleitoral, acabou ficando de fora na primeira totalização.
Com a exclusão dos votos do MDB, o coeficiente eleitoral geral diminui, permitindo que o Podemos atinja o percentual exigido pela lei. Assim, o Professor Roger, que anteriormente havia ficado de fora por apenas um voto (1.230 votos), retorna à Câmara Municipal de Colombo.
Este será o segundo mandato (2025–2028) do parlamentar, que volta ao Legislativo após uma disputa marcada por equilíbrio e reviravolta nos números.
Quem perde o mandato
Nesse caso, o vereador eleito José Osmair Possebam (1.465 votos), que atualmente está licenciado e atua como Secretário Municipal de Indústria, Comércio e Trabalho de Colombo desde março de 2025, perde a vaga para o Professor Roger Rodrigues Germiniano.
Impacto político
A decisão do TRE-PR provoca um efeito dominó na Câmara Municipal de Colombo, alterando a representatividade partidária e movimentando os bastidores da política local.
Além da inelegibilidade de Beti Pavin até 2032, a recontagem redesenha o equilíbrio de forças entre os blocos partidários e pode influenciar alianças estratégicas com vistas às eleições de 2026.
A expectativa agora é pela homologação oficial da nova totalização dos votos e pela posse dos vereadores substitutos, que deve ocorrer assim que o processo for concluído e comunicado à Justiça Eleitoral local.
