Sol de rachar e Sanepar deixa moradores de Colombo sem água

Em pleno sol de rachar, moradores do bairro São Gabriel, em Colombo, enfrentam dias sem água. Desde sexta-feira, famílias convivem com torneiras secas, transtornos domésticos e indignação diante da postura da Sanepar. O problema atinge especialmente a Rua Osvaldo Strapasson Vicentin, nas proximidades da Igreja Adventista, onde o desabastecimento é constante.

Em vez de apresentar soluções, a Sanepar tem atribuído a responsabilidade à própria população, alegando que, se o consumo diminuir, a água “sobra”. O argumento soa irônico e revoltante. A tarifa de água é alta, o custo por metro cúbico é o mesmo para todos, mas o serviço entregue é desigual.

No São Gabriel, a água chega com mais regularidade apenas às áreas mais baixas. Quem mora um pouco mais alto — como os moradores da Rua Osvaldo Strapasson Vicentin e arredores da Igreja Adventista — sofre repetidamente com a falta de abastecimento, sem qualquer compensação na conta e sem investimentos visíveis para ampliar a rede ou melhorar a pressão da água.

A situação chegou a um ponto crítico. A própria Igreja Adventista, durante um evento, precisou contratar um caminhão-pipa para atender necessidades básicas. Moradores relatam que, ao buscar atendimento, ouviram da Sanepar que “não há o que fazer” e que seria preciso torcer para que quem mora na parte baixa economize água para que sobre algo a quem vive nas regiões mais altas — uma orientação absurda para um serviço essencial.

Há ainda relatos de que o problema não se restringe ao São Gabriel. Outros bairros de Colombo também enfrentaram falta d’água no último fim de semana. Um exemplo é o Jardim Monza, que, segundo moradores, também ficou sem abastecimento. Isso reforça que a situação é mais ampla e estrutural, afetando diferentes regiões do município, inclusive o bairro onde este relato se origina.

Como se não bastasse, a empresa ainda acusa a população de causar o desabastecimento por conta das limpezas de fim de ano para o Natal. Os moradores contestam: o problema não é pontual nem sazonal. Segundo relatos, a falta d’água se arrasta há muito tempo, independentemente de datas comemorativas.

Diante desse cenário, fica a pergunta inevitável: quem é o diretor responsável pela Sanepar? E onde está a responsabilidade da empresa em planejar, investir e garantir abastecimento digno à população de Colombo? Quando um problema crônico persiste por anos, já não se trata de exceção ou imprevisto, mas de omissão ou falta de capacidade no gerenciamento da companhia.

Água é direito básico, não favor. E transferir a culpa ao consumidor por falhas estruturais é, no mínimo, uma vergonha.

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