A sucessão estadual no Paraná, que deveria representar continuidade política, começa a provocar um racha desnecessário dentro do próprio grupo do governador Ratinho Júnior.
Mesmo com um governo bem avaliado e marcado por obras e investimentos, oito anos de mandato naturalmente trazem desgaste. Surge a chamada “rusga política”, reflexo do tempo, das disputas internas e, principalmente, da indefinição sobre o futuro comando do Estado.
Na política, governadores e prefeitos não podem trabalhar tendo como principal assessor a indecisão. E é exatamente isso que hoje deve estar preocupando suas lideranças. Enquanto, para os mais próximos, o nome preferido seria o de Guto Silva, nos bastidores da Assembleia cresce a força do deputado Alexandre Curi, que demonstra, ainda que com cautela, clara insatisfação com o cenário atual.
Curi afirma que não abre mão de disputar o Governo do Estado e garante possuir um grupo político consolidado. A pergunta que ecoa nos corredores do poder é inevitável: que grupo é esse? Certamente não é o mesmo que sustenta Guto Silva.
Como se o cenário já não fosse complexo, o governador amplia ainda mais a disputa ao colocar novos ingredientes nessa “combuca” política. Ratinho Jr. lembra que “ainda temos o Paranhos”, referindo-se ao ex-prefeito de cascavel Leonaldo Paranhos, sem descartar também o nome do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca.
E, nessa verdadeira lambança política causada pela indevida e estranha dúvida do governador, quem agradece são os adversários. O senador Sergio Moro e o deputado Requião Filho disparam nas pesquisas, avançando justamente enquanto o grupo governista permanece dividido e sem rumo definido.
Acredito que a indecisão na escolha do nome para a sucessão seja reflexo da própria indefinição sobre o futuro político do governador. O cenário presidencial se mostra, a cada dia, mais complicado para Ratinho Jr., e uma vaga ao Senado surge como o caminho mais seguro. Caso esse movimento se confirme, novas amarras políticas inevitavelmente precisarão ser construídas.
Inclusive, o improvável pode acabar sendo a solução para reorganizar o tabuleiro político do Estado, reposicionando forças e preparando o Paraná para um novo projeto futuro.
O tempo passa, e a definição não chega. Já se perdeu um período precioso tentando descobrir o resultado desse verdadeiro exame de DNA político: afinal, quem será o pai da criança?
Enquanto isso, os prefeitos observam com preocupação. São eles que podem pagar o preço mais alto dessa indefinição. Caso o escolhido pelo governador não vença a eleição, muitos gestores municipais terão que conviver por ao menos dois anos já com um novo governo estadual, iniciando do zero a reconstrução de pontes políticas e administrativas.

