“Um por todos, todos por um”. Virada estratégica redesenha disputa pelo Governo do Paraná?

A corrida pelo Governo do Paraná entra em uma fase decisiva, marcada por forte reconfiguração política. O recuo do Ratinho Júnior da disputa presidencial, embora tardio, abriu espaço para uma ampla reorganização de forças dentro de seu grupo — e pode provocar uma verdadeira virada no tabuleiro eleitoral de 2026.

Com índices de popularidade ainda elevados, Ratinho passa a atuar como peça central na construção de sua sucessão. O desafio é claro: reorganizar a base, recompor alianças e apresentar uma chapa capaz de enfrentar um cenário adverso que, até pouco tempo, parecia mais controlado. Nos bastidores, uma nova engenharia política começa a ganhar forma e, em tese, surge um “trio de ferro”. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, aparece como possível nome para disputar uma vaga ao Senado, enquanto Guto Silva desponta como alternativa para compor como vice-governador.

No centro dessa articulação, o nome de Eduardo Pimentel surge como possível escolhido para encabeçar a disputa ao Palácio Iguaçu. A movimentação indica uma tentativa clara de renovar a imagem do grupo governista sem abrir mão da experiência política acumulada, buscando equilibrar continuidade administrativa com renovação — fórmula que pode ser decisiva em uma eleição de alta competitividade.

Mas, nesse jogo político, cada movimento mexe no tabuleiro como um xeque-mate em construção. O senador Sérgio Moro antecipou-se e moveu a primeira peça ao oficializar sua filiação ao Partido Liberal (PL), em março de 2026, com o objetivo de disputar o Governo do Estado, contando com o apoio de Flávio Bolsonaro. A jogada teve efeito imediato e, na prática, pressionou o reposicionamento de Ratinho no cenário nacional.

Como resposta — e também reflexo das tensões internas — o PL reuniu dezenas de prefeitos no Paraná e anunciou um movimento de desfiliação em massa. Ao menos 52 gestores municipais devem deixar o partido, em um racha provocado pela discordância com o apoio à pré-candidatura de Moro ao governo estadual.

Atualmente, a sigla conta com 53 prefeitos no estado, mas apenas um ainda avalia se acompanhará o grupo. A articulação é liderada pelo deputado federal Fernando Giacobo, presidente estadual do partido, que defende a migração para uma legenda alinhada aos princípios da direita. Nos bastidores, o movimento é interpretado como um gesto de fidelidade ao governador Ratinho Júnior.

Do outro lado, além de Moro, Requião Filho também se posiciona como peça relevante no campo oposicionista, ampliando a pressão sobre a base governista.

O cenário, no entanto, está longe de qualquer definição. A eleição de 2026 no Paraná assume contornos de uma disputa em clima de prorrogação, na qual cada articulação pode mudar o rumo do jogo. A montagem das chapas, as alianças regionais e o peso das lideranças locais serão determinantes nos próximos meses.

Diante desse quadro, a pergunta que ecoa nos bastidores é inevitável: a nova configuração será suficiente para reequilibrar a disputa ou o favoritismo já começa a ganhar contornos mais sólidos?

O Paraná entra, definitivamente, em um dos momentos políticos mais intensos de sua história recente.

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