Crueldade invisível: abandono de animais vira prejuízo e desespero em chácara em Colombo

Na zona rural de Colombo, no bairro São Dimas, a história de Reinaldo Muller, o Nenê, como é conhecido, escancara uma realidade que muitos preferem ignorar: o abandono animal não é apenas um ato de crueldade, é um problema social que destrói vidas, humanas e animais.

Conhecido por muitos na região, onde mora há mais de 30 anos, trabalhador e homem simples, Nenê viu sua tranquilidade ser abalada em sequência. Primeiro, o furto brutal: quase mil quilos de peixe roubados de seu tanque, às vésperas de uma das épocas mais importantes para sua renda. Um golpe duro. Mas o pior ainda estava por vir.

Sem pedir, sem escolha, ele se tornou responsável por mais de 20 filhotes, nascidos de três cadelas abandonadas em seu galpão. Animais largados à própria sorte, sem cuidado, sem dono, mas com fome, medo e instinto de sobrevivência. E é aí que está o ponto mais cruel dessa história.

Enquanto quem abandonou simplesmente virou as costas, é Nenê quem paga a conta. Alimenta como pode, divide o pouco que tem e tenta evitar que os filhotes morram. Mas a fome não espera. As cadelas, desesperadas, atacam galinhas, ovelhas, o sustento de quem já acumula prejuízos. Mais perdas. Mais dor!

Reinaldo Muller

Sentado em um carrinho de tração manual, o seu desabafo é o retrato de um sistema que falha: “Se bater ou matar a gente responde processo… mas ninguém aparece para resolver. Eu tenho dó dos bichinhos, por isso cuido enquanto não há solução ” disse Nenê , já sem esperança. Esse desabafo deveria ecoar como um grito de ajuda !

Proteger os animais não é apenas punir quem maltrata, é também responsabilizar quem abandona. O problema se agrava quando, mesmo existindo políticas públicas, fiscalização, programas de castração grátis  no município, situações como essa continuam acontecendo.

É preciso agir para impedir que o inocente se torne culpado, inclusive correndo o risco de ser responsabilizado por tentar ajudar, enquanto o verdadeiro responsável desaparece, mesmo tendo sua identidade e endereço conhecidos.

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