Pra não dizer que não “falei das flores”.
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Utilizando o mesmo título da canção de Geraldo Vandré, cujo refrão transcrevemos acima, nesta crônica também quero falar de flores:
Ontem fui visitar um amigo que não via há muito tempo. Morando no litoral, esse meu amigo vive em uma casa aconchegante rodeada de árvores, folhagens e flores. São muitas flores coloridas e perfumadas: lírios, rosas, dálias, margaridas e tantas outras. Entre essas “tantas outras,” de repente, notei a presença de um viçoso pé de “comigo-ninguém-pode”. Perguntei ao meu amigo se ele conhecia aquela planta. Homem simples e de cultura um tanto quanto rudimentar, meu amigo disse que conhecia mais ou menos, e que a cultivava apenas por achá-la bonita e interessante.
Um chamado inesperado, fez com que meu amigo se ausentasse por alguns instantes, me deixando sozinho ali. Enquanto isso, sentei-me em um pequeno banco no meio do jardim. A solidão momentânea e o ambiente colorido e perfumado, inevitavelmente, conduziram-me a algumas reflexões filosóficas.
Desprezando uma análise mais profunda, comecei a pensar nos “porquês” da existência das” comigo-ninguém-pode- pode”. Por que aquela maléfica e venenosa planta teria que estar ali, entre flores lindas perfumadas e inocentes? Seria meu amigo tão ingênuo ao ponto de deixar-se iludir pela aparência e ignorar o perigo, a maldade e a destruição que se ocultam nas vistosas folhas? Seria – pensava eu – um jardim tão lindo e acolhedor, o local ideal para que uma “víbora venenosa” disfarçada de planta, se abrigasse?
Absorto nesses questionamentos dei asas à imaginação e comecei a pensar que no mundo – assim como naquele jardim – existem alguns seres venenosos e malignos, que mediante alguns artifícios ardilosos, conseguem se infiltrar em ambientes que são completamente incompatíveis com suas características maléficas e destrutivas. E uma vez ali estando, destilam todo seu veneno, gerando desgraça, destruição e morte.
Perdido nessas divagações não percebi que meu amigo havia retornado e me observava silencioso. Apenas sorri sem lhe dizer nada. Mas naquele momento tomei a firme decisão de estudar essa planta perigosa, e informar a todos sobre suas propriedades nocivas, pedindo que tomem muito cuidado com a “COMIGO-NINGUÉM-PODE”, pois ela é venenosa e pode matar.
Foto: Ivan de Colombo
Muita paz e até a próxima!
“O cronista da cidade”
Quem foi Hélio Costa ? Hélio Costa deixou legado na comunicação e na cultura de Colombo
Hélio Costa foi um dos nomes mais conhecidos da comunicação em Colombo, destacando-se como radialista, jornalista, escritor e poeta. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à valorização da história, da cultura e das tradições do município, tornando-se uma referência para diferentes gerações de colombenses.
Com atuação marcante nos meios de comunicação locais, Hélio contribuiu para registrar acontecimentos importantes da cidade e incentivar a preservação da memória de Colombo. Seu trabalho como escritor e poeta também reforçou seu compromisso com a cultura e a identidade do município.
Além da comunicação, participou ativamente da vida comunitária e esteve envolvido em diversas iniciativas voltadas ao desenvolvimento cultural e social da cidade. Seu trabalho lhe rendeu reconhecimento e respeito entre moradores, lideranças e profissionais da imprensa.
Hélio Costa faleceu em março de 2021, aos 70 anos, vítima de complicações causadas pela Covid-19. Sua morte representou uma grande perda para Colombo, mas seu legado permanece vivo por meio de sua contribuição ao jornalismo, à literatura e à preservação da história local.