Fenômeno climático deve favorecer períodos de chuva acima da média e tempestades; município ampliou ações da Defesa Civil, limpeza de rios e preparação para emergências
COLOMBO — O avanço do fenômeno El Niño coloca o Paraná em um período de maior atenção para eventos climáticos extremos. De acordo com o Simepar, a presença do fenômeno favorece o aumento da frequência de chuvas e de sistemas frontais no Estado, além de criar condições para temporais, rajadas de vento, descargas elétricas e, eventualmente, granizo.
A previsão é de que os efeitos sejam sentidos de maneira diferente entre as regiões. Historicamente, episódios de El Niño estão associados a volumes de chuva acima da média no Paraná, principalmente durante a primavera e o início do verão. O Simepar também alerta que períodos de chuva intensa podem ocorrer em intervalos curtos, aumentando o risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos.
Além dos impactos nas cidades, o excesso de chuva pode afetar estradas, áreas rurais, produção agrícola e sistemas de drenagem. Em contrapartida, o fenômeno não elimina a possibilidade de períodos de estiagem. Segundo o Simepar, os efeitos do El Niño variam de acordo com a região e com a evolução das condições atmosféricas.
Colombo reforça preparação
Diante desse cenário, Colombo vem adotando medidas preventivas para reduzir os riscos. Em junho, o município participou de uma reunião regional com prefeitos e representantes da Defesa Civil para discutir ações coordenadas diante dos possíveis impactos do El Niño na Região Metropolitana de Curitiba.
Entre as medidas discutidas estão a limpeza e o desassoreamento de rios, a preparação das equipes municipais e a integração entre as Defesas Civis dos municípios da região. A intenção é antecipar os trabalhos antes dos períodos de maior ocorrência de chuvas.
O município também mantém um programa permanente de prevenção de enchentes, com ações de limpeza de rios e córregos, manutenção de sistemas de drenagem e intervenções em locais historicamente afetados por alagamentos. Em 2025, por exemplo, equipes realizaram trabalhos de limpeza e desassoreamento no bairro Rio Verde e manutenção de estruturas responsáveis pelo escoamento das águas.
Outra frente de atuação está nas obras de drenagem. Em abril deste ano, a Prefeitura realizou intervenções no Parque Embú para melhorar o sistema de escoamento da água da chuva em uma região que registrava problemas de alagamento havia décadas.
Defesa Civil preparada para emergências
A preparação também envolve o fortalecimento da estrutura de atendimento. Em setembro, Colombo recebeu do Governo do Paraná uma caminhonete 4×4 destinada à Defesa Civil municipal. O veículo deve ser utilizado em ações de prevenção, monitoramento e atendimento durante temporais, alagamentos, ventos fortes e outras ocorrências.
O município também estruturou um plano de resposta para situações como alagamentos, deslizamentos, bloqueios de vias e isolamento de moradores. O protocolo prevê diferentes níveis de atuação e integração entre Defesa Civil, Guarda Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, SAMU e demais órgãos públicos.
O planejamento inclui ainda alternativas de comunicação para situações em que redes de telefonia ou internet sejam prejudicadas. Entre os recursos previstos estão rádios, sirenes e comunicação direta entre as equipes.
Risco já faz parte do planejamento
Colombo também conta com um Plano Municipal de Redução de Riscos, elaborado com apoio da Universidade Federal do Paraná. O levantamento identificou áreas sujeitas a inundações, alagamentos e deslizamentos e serve como instrumento para orientar ações de prevenção e resposta.
O documento municipal aponta que o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil, atualizado em 2023, identificou áreas sujeitas a diferentes tipos de risco hidrológico e geológico. O levantamento contabilizou uma população potencialmente afetável de 5.690 pessoas nas áreas mapeadas.
Prevenção antes da emergência
A estratégia adotada por Colombo mostra uma mudança de foco: além de atender ocorrências depois que os problemas aparecem, o município busca identificar os pontos vulneráveis e agir antecipadamente.
Em agosto, por exemplo, duas ocorrências de deslizamento atingiram imóveis da cidade. A Defesa Civil retirou os moradores e interditou as áreas, sem registro de vítimas. O episódio reforçou a importância do monitoramento e da resposta rápida diante dos riscos.
Com a previsão de períodos de maior instabilidade provocados pelo El Niño, a atuação integrada entre órgãos públicos, o acompanhamento das condições meteorológicas e a manutenção da infraestrutura de drenagem tornam-se medidas importantes para reduzir os impactos sobre a população.
Para os moradores, a recomendação é acompanhar os alertas oficiais e evitar áreas de risco durante temporais, especialmente locais sujeitos a alagamentos, enxurradas, quedas de árvores e deslizamentos.

