A reta final da campanha foi marcada por um novo ponto de atrito entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF): o uso da imagem de Nossa Senhora Aparecida em peças de campanha. A polêmica começou após candidatos e comitês utilizarem a imagem da santa em santinhos, vídeos e postagens nas redes sociais com mensagens do tipo “protegidos pela padroeira”. Para parte do Ministério Público Eleitoral, o uso configuraria abuso do poder religioso e tentativa de vincular a fé a uma candidatura, o que é vedado pela legislação eleitoral. O TSE, em decisões monocráticas de ministros, determinou a remoção de algumas peças, entendendo que havia exploração indevida de símbolo religioso.
Já no STF, ministros se manifestaram em sentido diferente, citando a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, argumentando que a devoção à Nossa Senhora faz parte da cultura nacional e não poderia ser automaticamente tratada como irregularidade eleitoral. A divergência de entendimentos gerou insegurança jurídica para as campanhas. Enquanto advogados eleitorais esperam uma posição unificada, partidos dos dois lados do espectro político acusam o Judiciário de interferência seletiva. Nos bastidores, a avaliação é que o tema, por ser altamente sensível para o eleitor católico, tem potencial para influenciar a disputa em estados como São Paulo, Minas e Paraná, e deve ser pacificado em plenário conjunto até a véspera do segundo turno.