A escolha do candidato governista levanta dúvidas sobre a estratégia de sucessão no Paraná e abre espaço para especulações sobre o futuro político do governador Ratinho Júnior.
A vitória de Sérgio Moro na disputa pelo Governo do Paraná expõe as dificuldades do grupo político de Ratinho Júnior para garantir a continuidade de seu projeto de poder, que, em um primeiro momento, também poderia representar um caminho para uma eventual candidatura à Presidência da República.
Depois de um ano de silêncio, o governador ensaiou o nome de Guto Silva como possível candidato à sucessão. No entanto, o afastamento de Rafael Greca, que evidenciou um possível racha no grupo governista, mudaram o cenário. Em meio a esse contexto, Ratinho Júnior surpreendeu ao escolher Sandro Alex para representar seu grupo político na disputa.
A escolha, porém, levantou questionamentos sobre a capacidade de consolidação da candidatura, mesmo diante da força política e administrativa do governador. Nesse rearranjo, Guto Silva acabou perdendo espaço e praticamente desapareceu do cenário político sucessório.
A definição do candidato governista, marcada por mudanças e articulações controversas, alimentou críticas sobre a condução do processo. A chamada “lambança política”, como classificam alguns críticos, pode ter custado caro ao grupo, que não teria conseguido transformar o apoio do Palácio Iguaçu em votos suficientes para alcançar seu objetivo.
Como se não bastassem as controvérsias anteriores, a composição da chapa com Rafael Greca como vice de Sandro Alex também passou a gerar questionamentos. Para alguns observadores, a escolha teria sido uma tentativa de fortalecer a candidatura governista diante da disputa com Requião Filho, que ocupava a segunda colocação no cenário eleitoral considerado.
E Greca, que vinha se movimentando como protagonista no tabuleiro político, acabou assumindo o papel de vice na chapa de Sandro Alex. A mudança de posição suscita uma pergunta: por que Alexandre Curi foi preterido nesse processo? Quais fatores pesaram na decisão do governador? O candidato ao Senado pelo Paraná, Alexandre Curi (Republicanos) ultrapassou o candidato ao governo, Sandro Alex, em número de votos. Alexandre Curi conquistou 1.947.135 votos, o terceiro mais votado ao Senado.
Sandro Alex conquistou 1.583.764 votos e foi o segundo colocado na disputa ao governo. Dessa forma, a diferença de votos que Curi fez em relação a Sandro foi de 363.371
Mas outra questão permanece: um eventual revés de Sandro Alex poderia abrir novos caminhos para Ratinho Júnior? Sem um sucessor eleitoralmente consolidado, o governador poderia reorganizar seus planos e, futuramente, avaliar a possibilidade de uma nova candidatura ao governo estadual, conforme as condições políticas e legais.
Outro cenário envolve Brasília. Caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial, Ratinho Júnior poderá encontrar espaço em seu eventual ministério? Nos bastidores, os chamados “astronautas do passado político” apostam que sim. Entretanto, essa possibilidade dependerá das alianças construídas, dos acordos partidários e das decisões que vierem a ser tomadas.
Nesse contexto, surge outra pergunta importante: como ficarão os prefeitos que permaneceram fiéis ao projeto político de Ratinho Júnior até o final? Eles precisarão recalcular suas estratégias diante da mudança no comando político do Paraná?
Na política, nem toda derrota encerra uma trajetória. Às vezes, muda apenas o caminho. Resta saber se esse cenário representará o enfraquecimento do atual grupo governista ou o início de uma nova estratégia de Ratinho Júnior para preservar sua influência e voltar a ocupar posição central na política paranaense.