Um dia, os discursos são de oposição. No outro, surgem os gestos de aproximação. Adversários históricos descobrem afinidades, grupos se unem em nome de um projeto e lideranças passam a falar a mesma língua. Tudo isso pode fazer parte do jogo democrático. O problema começa quando o interesse coletivo fica em segundo plano e a disputa passa a girar exclusivamente em torno da conquista e da manutenção do poder.
É nesse momento que o cidadão precisa deixar de ser apenas espectador. Em Colombo, como em qualquer cidade que cresce, a população tem preocupações muito concretas: ruas em boas condições, saúde que funcione, escolas preparadas, segurança, transporte, emprego e oportunidades para os jovens. O morador não vive de discursos políticos. Vive dos resultados das decisões tomadas em seu nome. E é justamente aí que começa a diferença entre fazer política e fazer politicagem.
A pergunta que incomoda
Quando duas forças políticas se unem, é legítimo perguntar: o que as aproxima?
Um projeto para a cidade? Uma agenda de desenvolvimento? A intenção de resolver problemas antigos? Ou simplesmente a oportunidade de ampliar espaços, fortalecer grupos e preparar o terreno para a próxima eleição?
Não existe nada de errado em construir alianças. A democracia depende do diálogo, da negociação e da capacidade de reunir diferentes pensamentos. Mas uma aliança política não deve receber um cheque em branco da população. O eleitor tem o direito de conhecer os compromissos assumidos, cobrar coerência e observar se as promessas feitas nas campanhas continuam de pé depois das urnas.
O silêncio também fala
Há momentos em que um discurso inflamado chama mais atenção do que anos de trabalho. Há políticos que preferem o confronto porque sabem que a polêmica rende visibilidade. Outros escolhem o silêncio, negociam nos bastidores e deixam que os resultados falem por eles. Mas existe uma diferença fundamental entre o silêncio de quem trabalha e o silêncio de quem evita prestar contas. O cidadão precisa aprender a observar os dois.
Nem todo político que critica é adversário do povo. Nem todo político que elogia é aliado da população. E nem todo aquele que ocupa uma posição de destaque está, necessariamente, fazendo a diferença. A verdadeira medida de uma liderança não está no tamanho de sua influência, na quantidade de fotografias ao lado de autoridades ou na força de seu grupo político. Está naquilo que consegue entregar à sociedade e na disposição de prestar contas quando os resultados não aparecem.
Colombo não pode ser apenas um projeto eleitoral
Uma cidade não pode ser tratada como propriedade de um grupo, muito menos como um tabuleiro em que as peças são movimentadas conforme a conveniência de cada eleição. Colombo precisa pensar no presente sem perder de vista o futuro. Precisa de lideranças capazes de dialogar com diferentes governos, buscar recursos, defender os interesses do município e reconhecer que nenhuma pessoa, partido ou grupo político é maior do que a cidade.
O eleitor também precisa fazer a sua parte. Antes de compartilhar uma declaração, deve observar os fatos. Antes de aplaudir uma aliança, deve conhecer seus compromissos. Antes de condenar uma mudança de posição, deve avaliar suas razões. A política não precisa ser uma guerra permanente entre adversários. Mas também não pode ser um espetáculo em que todos parecem inimigos diante das câmeras e parceiros quando as conveniências mudam.
Colombo é uma das cidades mais importantes da Região Metropolitana de Curitiba. Com quase 300 mil habitantes e aproximadamente 200 mil eleitores, tem população, demandas e desafios suficientes para exigir uma representação política à altura de sua importância. Mas, quando chega a hora de transformar votos em força política, fica uma pergunta incômoda: por que Colombo ainda encontra tantas dificuldades para eleger representantes próprios?
Na política, nem sempre aquilo que parece é aquilo que realmente está acontecendo.
Uma cidade desse tamanho não pode se contentar em ser lembrada apenas durante o período eleitoral.
A cada eleição, candidatos aparecem nos bairros, visitam comunidades, apresentam propostas e prometem defender os interesses do município. Entretanto, depois da apuração, a população precisa conviver com uma realidade: sem representantes eleitos com uma base política forte na própria cidade, Colombo corre o risco de depender ainda mais da articulação de lideranças de outros municípios para defender suas demandas.
Apesar da matéria mostrar 5 candidatos com maior possibilidade de votos, existem outros que também estiveram disputando uma vaga, mas o problema também não é votar em candidatos de fora. O voto é livre, e cada eleitor tem o direito de escolher quem considera mais preparado. A questão é saber se Colombo está conseguindo transformar seu potencial eleitoral em representação efetiva.
24 anos de espera: o preço da falta de união?
Quando se fala em esperar 24 anos para voltar a eleger um deputado, a expressão não deve ser entendida como uma previsão matemática, mas como um alerta sobre o risco de uma cidade perder oportunidades sucessivas de conquistar protagonismo político.
O tempo passa, os mandatos terminam e as eleições se repetem. Enquanto isso, problemas relacionados à infraestrutura, à saúde, à mobilidade, à segurança e ao crescimento urbano continuam exigindo recursos e articulação política.

