Por que uma cidade com quase 245 mil habitantes ainda enfrenta dificuldades para construir lideranças políticas próprias, eleger representantes e garantir continuidade aos projetos de governo?
- A abstenção: milhares de eleitores fora das decisões
- O voto que sai de Colombo e fortalece outras cidades
- Muitos nomes, pouca união política
- Oito anos de governo e a dificuldade de eleger um sucessor
- Colombo precisa de um projeto político que ultrapasse mandatos
- O problema não é votar em candidatos de fora. É não construir alternativas dentro de casa.
- A pergunta que fica para as lideranças de Colombo
Colombo é um dos municípios mais importantes da Região Metropolitana de Curitiba. Com uma população que já se aproxima de 245 mil habitantes, segundo as estimativas populacionais do IBGE, e um eleitorado na faixa de 160 mil pessoas, a cidade possui peso demográfico, econômico e eleitoral expressivo no Paraná.
São 17 vereadores, uma estrutura administrativa de grande porte, lideranças comunitárias, empresários, entidades representativas e uma população que cresce e apresenta demandas cada vez maiores.
Entretanto, existe uma contradição que merece ser discutida: Colombo tem eleitores, tem lideranças e tem potencial político, mas ainda encontra dificuldades para transformar sua força eleitoral em representação estadual e federal.
A cada eleição, milhares de colombenses destinam seus votos a candidatos de outros municípios. Muitos desses candidatos conquistam expressivas votações na cidade, enquanto nomes ligados à própria realidade colombense enfrentam dificuldades para alcançar uma eleição.
Não se trata de questionar a liberdade de escolha do eleitor. Cada cidadão tem o direito de votar em quem considera mais preparado para representá-lo. A questão é entender por que uma cidade desse tamanho ainda não conseguiu consolidar uma representação política proporcional à sua importância.
A abstenção: milhares de eleitores fora das decisões
Outro dado que chama a atenção é o número de eleitores que deixam de comparecer às urnas.
Em diferentes eleições, Colombo registra dezenas de milhares de abstenções. Em determinadas disputas, esse número ultrapassa 30 mil eleitores.
São pessoas que, por diferentes razões, não participam diretamente da escolha de seus representantes.
É importante compreender que a abstenção não significa necessariamente desinteresse pela política. Existem questões de trabalho, saúde, deslocamento, dificuldades pessoais e descrença nas instituições que podem afastar o eleitor das urnas.
Mas o resultado é o mesmo: uma parcela expressiva da população deixa de participar de decisões que influenciam diretamente o futuro do município.
E fica a pergunta: o que está sendo feito para aproximar esses cidadãos da política e mostrar a importância de sua participação?
O voto que sai de Colombo e fortalece outras cidades
Durante as campanhas eleitorais, Colombo se transforma em um importante território de disputa. Candidatos de Curitiba, da Região Metropolitana e de diferentes regiões do Paraná buscam apoio de lideranças locais e apresentam suas propostas à população.
Muitos conseguem votos e retornam às suas bases políticas.
Naturalmente, um deputado estadual ou federal não representa apenas o município onde mora ou nasceu. Sua função é trabalhar pelo Paraná ou pelo Brasil. Entretanto, quando recebe uma votação expressiva em Colombo, espera-se que mantenha um compromisso com as necessidades da cidade.
A dificuldade está justamente em construir uma relação permanente entre os representantes eleitos e a população que ajudou a colocá-los no Legislativo.
Colombo precisa de representantes que conheçam seus problemas, acompanhem seus projetos e ajudem a buscar recursos para áreas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura, mobilidade urbana e desenvolvimento econômico.
Não basta aparecer durante a campanha. É preciso estar presente depois dela.
Muitos nomes, pouca união política
Uma das possíveis explicações para a dificuldade de eleger representantes da própria cidade está na fragmentação das forças políticas.
Colombo possui vereadores, ex-vereadores, ex-prefeitos, lideranças comunitárias e pessoas com capacidade de articulação. Entretanto, nem sempre esses grupos conseguem construir objetivos comuns.
Quando diferentes lideranças disputam o mesmo espaço eleitoral, os votos acabam divididos. Enquanto isso, candidatos de outras regiões chegam com partidos estruturados, alianças consolidadas e bases eleitorais organizadas.
Não significa que Colombo precise ter um único candidato ou que os partidos devam abrir mão de suas diferenças. A democracia depende da pluralidade.
Mas é necessário discutir planejamento, articulação e capacidade de construir candidaturas competitivas.
Uma cidade não pode pensar sua representação política apenas a cada dois anos, quando se aproxima uma eleição. É preciso construir lideranças durante todo o período.
Oito anos de governo e a dificuldade de eleger um sucessor
Outro fenômeno que merece atenção está na política municipal.
A legislação permite que prefeitos sejam reeleitos para um segundo mandato consecutivo. Assim, um administrador pode permanecer oito anos à frente da Prefeitura.
Durante esse período, são realizadas obras, implantados programas, estabelecidas parcerias e construídas relações políticas.
Entretanto, uma pergunta permanece: por que prefeitos que conseguem conquistar uma reeleição expressiva frequentemente enfrentam dificuldades para eleger seus sucessores?
A resposta não é simples.
Existe uma diferença entre a aprovação de uma administração e a aceitação do candidato escolhido para dar continuidade ao governo.
O eleitor pode reconhecer o trabalho de um prefeito, mas não necessariamente se identificar com seu indicado. Também existem desgastes naturais de uma administração prolongada, disputas internas, expectativas de mudança e dificuldades na preparação de novas lideranças.
O sucessor precisa ter identidade própria, apresentar propostas e conquistar a confiança da população. Não pode depender exclusivamente da popularidade de quem está deixando o cargo.
Governar também significa preparar o futuro.
Colombo precisa de um projeto político que ultrapasse mandatos
Uma cidade com a dimensão de Colombo precisa pensar além das disputas partidárias.
A população precisa de representantes que compreendam os desafios do município e tenham capacidade de dialogar com os governos estadual e federal.
O crescimento populacional exige planejamento. A saúde precisa acompanhar a demanda. A educação necessita de investimentos permanentes. A mobilidade urbana, a infraestrutura e a geração de empregos precisam fazer parte de uma agenda de longo prazo.
A cidade também precisa discutir sua participação no cenário político paranaense.
Uma alternativa seria reunir lideranças políticas, empresariais, comunitárias e representantes de diferentes segmentos da sociedade em torno de uma agenda suprapartidária de desenvolvimento e representação.
Não para criar um grupo político dominante, mas para estabelecer compromissos com Colombo.
Também seria importante acompanhar os resultados eleitorais por bairros e regiões, compreender o comportamento do eleitorado, estudar a abstenção e identificar os motivos que levam tantos cidadãos a não participar das eleições.
Informação e planejamento são ferramentas fundamentais para mudar essa realidade.
O problema não é votar em candidatos de fora. É não construir alternativas dentro de casa.
É preciso deixar claro: o eleitor não deve ser pressionado a votar em alguém simplesmente porque nasceu ou mora em Colombo.
A competência, a história, o compromisso e as propostas devem pesar na escolha.
Mas também é legítimo perguntar por que uma cidade com tantas lideranças ainda encontra dificuldades para construir representantes com força eleitoral própria.
Colombo não precisa de um dono político, de uma liderança absoluta ou de um projeto que sirva aos interesses de um único partido.
Precisa de união em torno das causas da população, sem que isso signifique abrir mão das diferenças ideológicas e partidárias.
A cidade tem potencial para muito mais. Precisa transformar sua dimensão populacional em força política, sua capacidade econômica em desenvolvimento e sua participação eleitoral em representação efetiva.
A pergunta que fica para as lideranças de Colombo
O que está faltando para Colombo conquistar uma representação política mais forte?
Falta união? Planejamento? Renovação de lideranças? Compromisso dos partidos? Ou será que a própria população precisa cobrar mais de quem recebe seus votos?
Talvez a resposta esteja em um pouco de cada coisa.
O Blog Ivan de Colombo e a Gazeta de Colombo entendem que esse debate precisa ser ampliado. Não é uma discussão de esquerda ou direita, situação ou oposição. É uma discussão sobre o futuro de uma cidade que cresce, mas precisa fortalecer sua capacidade de decidir os próprios caminhos.
Colombo não pode ser lembrada apenas como uma cidade onde candidatos vêm buscar votos. Precisa ser reconhecida como um município que sabe construir lideranças, conquistar espaços e defender seus próprios interesses.
Porque, no final das contas, independentemente de partido, ideologia ou posição política, o verdadeiro lado que precisa ser defendido é o lado do povo colombense.
E essa responsabilidade não pertence apenas aos políticos. Pertence a todos nós.

